quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Manifestações...

Boa noite!
Caros amigos e cidadãos desta bela República Portuguesa, hoje fui presenteado com uma convocação para aquela que poderá ser a manifestação mais ridícula na história da nossa democracia. Eu sei que a minha opinião irá gerar controvérsia mesmo com os meus colegas do blogue, mas é com discussões saudáveis que o ser humano intelectual evolui.
Estava eu a entrar para o grande ISCTE, quando me entregam uma convocatória para uma manifestação dia 18 deste mês contra: as propinas, Bolonha, os empréstimos e as fundações.
Os argumentos contra as propinas não existiam, o que é estranho mas a ideia que fica do resto do panfleto, é que supostamente o elevado preço das propinas, vai contra a Constituição Portuguesa, ao impedir os alunos de frequentar o ensino superior. Meus amigos, segundo a legislação actual, o ensino obrigatório é só até ao 9º ano, desta forma só vai para a universidade quem quer, nada vos obriga! Querem acabar com as propinas e depois quem é que paga para vocês lá estudarem? O Estado!? Ora, se o Estado nem tem dinheiro para mandar cantar um mudo, vai ter de ir buscar fundos a algum lado, que inevitavelmente será com uma subida nos impostos. Agora pensem se é mesmo isso que querem!
Passando agora ao ponto em que são contra o processo de Bolonha, o argumento dado é que os mestrados são muito caros. Até parece que antes eram baratos, e mais uma vez só tira um mestrado quem quer! E agora um exemplo do que Bolonha nos pode dar. No passado tive de ir fazer pela vida no estrangeiro, em Bruxelas. Nesta altura ainda não havia Bolonha, e a minha irmã queria ir para lá estudar medicina. Acontece, que não pôde ir porque depois não lhe davam equivalências para acabar o curso cá. Hoje em dia com Bolonha ela já podia estudar lá e depois acabar o curso cá. Bolonha é um projecto a longo prazo, não esperem resultados imediatos!
O terceiro ponto ia contra os empréstimos agora existentes para os estudantes universitários pagarem a sua educação, dizendo que o ensino público devia ser gratuito e para todos. Mais uma vez, o ensino público não é obrigatório. Os empréstimos têm uma flexibilidade que permite aos jovens conseguirem fundos para pagar a sua educação não obrigatória. São uma das poucas medidas positivas deste Governo!
Por ultimo "refilavam", contra a gestão das universidades por parte de fundações privadas, argumentado que estas só se preocupam com o lucro e não com a qualidade do ensino e os alunos. Meus amigos economicamente, as privatizações iram aumentar a concorrências entre as diversas universidades. Para as ditas fundações conseguirem obter lucro, terão de se diferenciar da concorrência. Como é que elas conseguem essa diferenciação? Através da oferta de uma educação de qualidade.
Para encerrar este assunto, pensem duas vezes antes de convocar uma manifestação.
Mudando completamente o tema com uma volta de "360º", parabéns a Portugal e parabéns ao Makukula.

1 comentário:

Mouro disse...

"Querem acabar com as propinas e depois quem é que paga para vocês lá estudarem? O Estado!? Ora, se o Estado nem tem dinheiro para mandar cantar um mudo, vai ter de ir buscar fundos a algum lado, que inevitavelmente será com uma subida nos impostos. Agora pensem se é mesmo isso que querem!"

Ou, quiçá, cortar no orçamento de alguns ministérios. O da Defesa, por exemplo. Ou, finalmente, fazer o que andam a prometer desde o início da legislatura, e cortar com número de funcionários públicos, especialmente os da Administração.