sábado, 25 de abril de 2009
Sondagem: análise dos resultados.
sábado, 1 de março de 2008
“Qual é o mais terrível de sempre?”
Reconheço que talvez a questão poderia ter sido mais clara, no sentido de que devia explicitar que apenas dizia respeito a desenhos animados excluindo desde logo os filmes de imagens do mundo real (ainda que ficcionado), isto é, com seres humanos.
Contudo, tendo em conta o manancial de hipóteses apresentado, fácil seria deduzir que a questão iria incidir apenas nos vilões dos desenhos animados.
Posto isto, é importante e indispensável referir a votação em si.
Não foi uma sondagem record, mas terá sido a segunda melhor (em quatro). Votaram 40 pessoas.
Existiu luta até ao fim, num embate de titãs no qual se notabilizaram Freezer, Joker, a hipótese Outros, e ainda Mr. Burns. Porém só o primeiro venceu. Foi Freezer com 7 votos. Apesar das suas particularidades vocais e outras nada abonatórias para a sua maldade, Freezer venceu a votação com mais um voto que o segundo classificado.
Escrevendo um pouco sobre a personagem, será importante lembrar que fez parte do universo do “Dragon Ball Z”. Ficou conhecido pela sua mudança de aspecto ao longo dos combates que travava com Songoku, Vegeta e companhia. Importante será lembrar também que Freezer foi o responsável pela morte de milhões de habitantes de Namec, um planeta destruído pela invasão de Freezer e do seu exército. Em certa medida Freezer assemelha-se a Hitler que na segunda guerra mundial devastou a Europa e ameaçava o Mundo com o seu espírito expansionista. Contudo, Freezer já não era movido por razões expansionistas mas pela busca incessante pelas bolas de cristal.
Comparações feitas, passo ao segundo classificado, o já referido Joker e a hipótese “Outros”, cada um com 6 votos.
Bem, o Joker é um vilão inimigo do Batman. Esta personagem, que costuma aparecer nos baralhos de cartas, é um psicopata parecido com um palhaço, diria, um palhaço maléfico.
Tal como com Freezer, existiam várias personagens da mesma série em votação mas esta levou a melhor sendo que desconheço a razão para que tal tenha sucedido.
Já a hipótese “Outros” foi a hipótese dos desagradados com o leque dos elegíveis apresentado. Desta vez, ao contrário da última, as hipóteses apresentadas eram suficientes. Apesar disso os “Outros” tiveram 6 votos.
O outro vilão a referir é Mr. Burns, que ficou com 5 votos. Nada mau para quem, ao que se saiba se limita a explorar os seus trabalhadores.
Não sei se foram os comunistas ou os anti-capitalistas que permitiram tal votação mas o único factor que pode qualificar o Mr. Burns como vilão, é o de ser um capitalista desumano, patrão de um reactor nuclear.
Outras hipóteses a referir são o Cell, Lez Luthor e o Fat Tony que arrecadaram 3 votos.
Em suma foi uma votação bastante participada, espero que continuem a votar. Obrigado.
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
“Qual foi o pior erro estratégico da História Mundial?”.
Falando dos resultados, foi possível verificar que a invasão de Napoleão à Rússia foi a hipótese mais votada ganhando com 22 votos (36%), o segundo classificado foi o “Zimmerman Telegram” com 12 votos (20%) e em terceiro a hipótese Outros com 6 votos (10%). Para este comentário não se tornar exaustivo não vou enumerar todos os resultados, fazendo-lhes apenas algumas referências.
Parece-me que este triunfo (ou derrota) de Napoleão deve-se acima de tudo ao facto de a invasão à Rússia ter sido de sem sombras de dúvidas um péssimo passo de Napoleão na sua conquista pela Europa. Porém, outros motivos podem ser mencionados, como o facto de ser matéria leccionada nas aulas no ensino básico, e por isso ser de ensino obrigatório.
Fazendo um parêntesis, já a invasão de Hitler à URSS que apesar de ter sido posterior, com mais meios e maior conhecimento do clima russo ter prosseguido o mesmo fim e incorrido no mesmo disparate, não é matéria leccionada no ensino básico (pelo menos com tanta veemência), só o é no secundário. Daqui se pode depreender a votação não tão elevada nesta hipótese.
Já a segunda hipótese mais votada foi o “Zimmerman Telegram” que me surpreendeu pela quantidade de votos que teve pois grande parte das pessoas me questionou o que era.
No que diz respeito ao terceiro classificado, Outros, esta hipótese foi alvo de grande votação por parte dos visitantes do blogue porque, ou não tinham opinião no assunto ou porque achavam que o maior erro estratégico foi outro. Contudo acho que o principal motivo pelo qual as pessoas votaram nos Outros foi acima de tudo pela falta de opinião relativamente ao assunto.
Já no que diz respeito a outros resultados, devo fazer referência ao Dia D que foi alvo de contestação por parte de muitas pessoas por acharem que foi uma coisa boa, porém existe quem defenda que nesse dia ao contrario de uma invasão por terra dever-se-ia bombardear evitando-se assim numerosas perdas humanas.
Para concluir, importa fazer referência ao facto de terem surgido novas hipóteses de escolha para os votantes, porém foram tardias e não puderam ser colocadas para votação. Obrigado pela Votação e continuem a votar e comentar.
sábado, 16 de fevereiro de 2008
Qual o melhor desenho animado de sempre?
De resto, os “Simpsons” ficaram em segundo mas poderiam ter vencido pois os votos da hipótese “Outros” dispersar-se-iam, com a divisão nos vários desenhos animados que engloba. Como não existe um único desenho animado vencedor, centrar-me-ia no comentário ao segundo e ao terceiro lugares e também uma referência ao quarto e quinto lugares.
Em segundo, o já referido “Simpsons” arrecadou 8 votos (24%) o que não é mau de todo tendo em conta que eram 9 hipóteses de escolha. Porém, não chegou ao ¼ dos votos. Quanto a este desenho animado há a dizer que tem por público destinatário o sector jovem/adulto suponho, e as suas piadas têm alguma graça, pois não sendo possível soltar uma gargalhada monumental ao vê-los (pelo menos isso me parece, ou isso, ou tenho vindo a perder o bom humor), não nos é irrelevante o que dizem e as trapalhadas da família de Homer, Marge, Bart, Lisa e Magie bem como do resto da população de Springfield.
Já o terceiro classificado “Dargon Ball” que arrecadou 5 votos ficou muito aquém das expectativas sendo que era considerado por muitos o favorito à vitória final. Porém, isso não aconteceu e ainda para mais ficou a apenas 1 voto dos “Looney Toons” que apesar de serem um grande desenho animado, não se esperava tal resultado. De qualquer modo, uma palavra para o conteúdo de ambos os desenhos animados.
O “Dragon Ball” é um êxito da SIC que aproveitou um original japonês e pôs milhares, se não milhões de crianças a ver televisão a uma determinada hora (a hora do “Dragon Ball”) como se de uma romaria se tratasse. É um desenho considerado por alguns, parado no que diz respeito às imagens, mas parece-me que as aventuras de todos os episódios e os longos combates que se travavam acabam por contrariar esta afirmação.
Já os “Looney Toons” são um desenho animado com muita história. Quem é que não se recorda do Bugs Bunny e a sua mítica frase “What’s up Doc.?”, dos embates de Coiote e Bip Bip sendo que este último levava sempre a melhor, ou ainda do Duffy Duck. Quem teve tazos facilmente se lembrará destes personagens.
Já as outras hipóteses tinham pouca visibilidade e não eram “best watched” (perdõe-me a expressão que é uma espécie de paralelismo com “best sellers”). Porém faço aqui uma referência aos “Tartarugas Ninja” e aos “Flintstones” que foram a escolha de 2 votantes (cada um).
Posto isto vou tentar uma melhor colocação de hipóteses a votar nas próximas sondagens. Obrigado.
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Sondagem: Concorda com a manifestação de alguns ingleses, relativa aos postos de trabalho, que teve lugar no final do mês de Janeiro?
A opção mais votada foi a "Não, repugnam-me tais sentimentos" com 8 votos (42%). Seguiram-se "Manifestação? Qual manifestação?" com 4 votos (21%), "Se fossem os vossos empregos queria ver" e "Não está em causa xenofobia mas o direito ao trabalho" com 3 votos cada (15% cada um) e "Vindo de ingleses era de esperar" com 1 voto (5%).
Obrigado.
domingo, 14 de junho de 2009
Eleições Europeias de 2009.
A colagem europeias-legislativas é totalmente descabida, faz lembrar, com que numa metáfora, duas peças de puzzles diferentes que em princípio não se juntam, e só com algum jeito se conseguem unir, com prejuízo para o puzzle. Passo a explicar. Cedo me debati, neste blogue, por uma europeização do discurso dos actores políticos nestas eleições. Fi-lo em vários textos mas parece que ainda não somos assim tão vistos ou então desconsideraram a minha opinião. Ora, a meu ver, as eleições europeias são para eleger deputados europeus para o Parlamento Europeu.
Vimos inúmeras vezes os partidos, os cabeças-de-lista e outros actores políticos a trocarem acusações e criticas de índole nacional. OS partidos da oposição fizeram-no porque sabem que é aí que conseguem ir buscar votos pois o descontentamento relativamente ao Governo é, nesta altura, crescente. Já relativamente ao partido que suporta o Governo não se compreende o não afastamento deste tipo de debate. De resto também não se compreende o não afastamento dos restantes partidos, mas o deste até por uma questão de capitalização de votos é bastante incompreensível. Seria de todo benéfico ao PS um afastamento das questões nacionais porque seria aí que perderia mais votos. Não o fez, houve consequências.
Atrás deste movimento foram os media e o eleitorado que na sua grande maioria, em português razoável, não quis saber da Europa para nada. O que importava ali era votar contra o Governo. Claro que muita gente não o terá feito por aqueles motivos mas acreditem que a maioria procedeu desse modo. Esta situação só desvirtuou o carácter europeu destas eleições.
Aliás, importa dizer que um dos canais de TV no dia das eleições mostrou uma sondagem relativa às legislativas que em bom rigor está claramente toldada pela proximidade deste acto eleitoral. Não posso concordar com este tipo de informação, corre o risco de manipular opiniões, pontos de vista.
Para além disto, o debate foi marcado por trocas de acusações menos simpáticas com o imiscuir de processos judiciais pelo meio, o que em nada beneficiou o debate político.
Apesar de tudo, há resultados e as pessoas votaram (30 e tal %). Indo daqui o meu profundo desagrado pela abstenção generalizada que tem origem na degradação do debate político.
Resultados dos partidos que elegeram deputados (numa altura em que falta contabilizar o mandato aferido em função do voto dos emigrantes.
- PSD 31, 70%
- PS 25, 58%
- BE 10, 73%
- CDU 10, 66%
- CDS-PP 8, 37%
O PSD venceu estas eleições com uma certa e possivelmente curta vantagem. Apesar de tudo, tal parece ter sido motivo de regozijo para grande parte dos militantes daquele partido. Compreende-se porquê. O P.S. com maioria absoluta e a crítica constante (agora mais ténue) à direcção do PSD estarão da fundamentação para a satisfação de tal resultado. Sou forçado a fazer o raciocínio da colagem europeias-legislativas pois foi assim orientado que o eleitorado (na sua grande maioria) terá votado. O PSD pode assim ganhar um novo élan para as legislativas que há uns meses se consideravam perdidas irremediavelmente para o PS. No entanto, aquela sondagem de que vos falei à pouco suscita um diferente entendimento. De acordo com aquela sondagem o PS venceria as eleições legislativas. Isto é, dá ideia que as pessoas estão dispostas a mostrar um cartão amarelo mas não o vermelho. A ver vamos. Aquela ideia afiançada por alguns, de que o Governo só tem legitimidade para agir como um Governo de Gestão não me parece de acolher. Os períodos relativos aos governos de gestão estão plenamente previstos na Constituição e só porque o partido do Governo perde umas eleições, que não são legislativas, isso não significa que deva alterar as suas políticas. Apesar de tudo há um partido que ganhou as eleições e por isso parabéns ao PSD que soube capitalizar votos durante a campanha eleitoral. Nota ainda para grande parte dos JSD’s que por ali andavam a entoar cânticos como se se tratasse de uma claque de futebol. Frases como “O povo não esquece que a crise é do PS” são de um e fundamento e de uma profundidade incríveis.
O PS perdeu as eleições e perdeu-as numa altura em que a larga maioria das sondagens lhe atribuíam vitória. As causas para esta derrota estão identificadas. A colagem às legislativas não os ajudou, mas eles também não fizeram muito para o mudar, e a escolha do cabeça-de-lista que não terá agradado a muita gente.
A sala vazia não ajudou à imagem do partido. Passou a ideia do desencanto, do desalento face aos resultados. O que se compreende que exista mas que se deve evitar mostrar, tendo em conta o ano eleitoral em que estamos e a possibilidade de isso poder influenciar o sentido de voto do eleitorado. A ver vamos se estes resultados terão influencia na atitude governativa pois pode haver tendência para tomar medidas que serão mais populares mas que podem não ser as mais apropriadas. Dou um exemplo: O governo baixar os impostos numa altura em que o não deve fazer com prejuízo das receitas do Estado.
O BE obteve um bom resultado. Consta que foi o único partido da esquerda que subiu em toda a Europa. Grande parte do voto de protesto foi para este partido que ganhou muito eleitorado socialista descontente com o Governo mas que se recusa a votar na direita. Se mantiverem esta performance, atingem os 20 deputados no Parlamento com alguma facilidade.
A CDU fez o que se esperava. Tem o eleitorado do costume. Não surpreendeu nem pela negativa nem pela positiva. Os resultados podem ter deixado os responsáveis da coligação preocupados com a ultrapassagem do BE à CDU que tem perdido espaço no eleitorado esquerdista.
O CDS-PP fez um discurso de vitória quando foi o 5º melhor nos resultados. Muito bem que as sondagens lhe davam um resultado fraco e que obtiveram bem mais que isso. Porém, o discurso pareceu-me bastante semelhante ao do V. de Setúbal ou Marítimo quando conseguem chegar à Taça UEFA ou do Estrela da Amadora quando consegue a permanência na 1ª Liga. Apesar de tudo, não foi um muito mau resultado.
Fica o repto para um melhor debate político.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Comentário às Eleições Legislativas de 2009.
Estas eleições tiveram os seguintes resultados (sem os votos dos emigrantes): PS (36, 56%) 96 deputados, PSD (29, 09%) 78 dep., CDS (10, 46%) 21 dep., BE (9, 85%) 16 dep., CDU (7, 88%) 15 dep.
Desde logo importa afirmar que a análise a estes resultados não deverá ser feita através de uma comparação entre as eleições de 2005 e as de 2009. Temos que ter em conta tudo o que aconteceu entretanto. Contestação, escândalos, sondagens, tudo…
Posto isto, passemos à análise partido a partido.
PS: Vence estas eleições com clara vantagem sobre o PSD (apesar de ter perd
ido deputados para todos os outros partidos) depois da onda de contestação gerada durante o mandato conferido em 2005, depois dos resultados das eleições europeias e depois de algumas sondagens terem previsto um empate técnico entre os dois partidos. Este facto sucede acima de tudo pela excelente campanha dos socialistas e a prestação convincente de José Sócrates nos debates. A prestação menos boa do PSD e da sua líder foram também preponderantes. No entanto, estas eleições trazem algum “amargo de boca” ao PS. Por um lado o PSD e o CDS juntos têm mais deputados que o PS. A pergunta que se coloca é se correrá o PR o risco de convidar a governar os dois partidos de direita. Creio ser difícil tal cenário pois debilitaria a imagem do PR e contaria com uma oposição dilacerante da esquerda em maioria no Parlamento. Por outro lado, o PS (afastado que está o cenário do Centrão) só consegue ter maioria absoluta com o CDS, algo que também parece muito complicado pois este partido parece não estar disposto para tal. O PS parece estar numa situação em que governará sozinho tendo de contar necessariamente com outros partidos para viabilizar diplomas importantes como o Orçamento de Estado. Não esquecer a possibilidade de uma moção de censura, se bem que importa não esquecer 1987 em que “saiu o tiro pela culatra” ao PRD.
PSD: Estrondosamente derrotado (apesar de ter ganho 3 deputados) pois não soube capitalizar para si a onda de contestação em torno de Sócrates e do seu Governo. Essa contestação traduziu-se sobretudo em votos nos outros 3 partidos. O PSD não fez uma boa campanha
e prestação de Manuela Ferreira Leite nos debates não foi a melhor conforme já escrevera aqui no blogue. Mesmo com o resultado do CDS dificilmente formará Governo até porque não surgiram afirmações que sequer pudessem pôr sobre a mesa esse cenário. Está neste momento em causa a permanência da líder do PSD enquanto tal. Provavelmente dever-se-á manter até às eleições autárquicas, mas será dificílimo continuar a liderar, isto apesar de o PSD provavelmente ganhar as eleições (que é um dado recorrente e que não decorre normalmente da performance do líder).
CDS: Bons resultados para este partido que nas sondagens se enc
ontrava bastante atrás. Bons debates e campanha de Paulo Portas que conseguiu chegar a mais de 10%. Será um elemento fundamental neste novo Parlamento. A ver vamos em que moldes.BE:
Apesar dos 16 deputados eleitos e de ter duplicado o número relativamente a 2005, este resultado deverá desiludir os bloquistas, apesar de alguns manifestarem agrado perante tal cenário. É que em todas as sondagens o BE aparecia destacado em 3º lugar e mesmo nas sondagens à boca das urnas parecia que poderiam eleger 20 deputados. O papel fundamental que poderiam ter na AR fugiu para…o CDS.CDU: Ganhou u
m deputado mas mantém o papel que obteve em 2005. O eleitorado comunista é pouco móvel e por isso não surpreende este resultado.Convém ainda fazer dois apontamentos.
Em primeiro lugar importa lembrar os números da abstenção. 39, 4% dos cidadãos eleitores não votaram, o que é muito. São números que deverão suscitar reflexão aos eleitores e aos eleitos.
Em segundo lugar é necessário fazer uma referência às sondagens que têm falhado demais, mesmo à boca das urnas, algo que me parecia pouco provável.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Eleições Autárquicas: Cascais.
Nestas eleições autárquicas em Cascais confrontaram-se como adversários principais na corrida à Câmara António Capucho (da coligação PSD/CDS e Presidente da Câmara) e Leonor Coutinho (do PS), contando este escrutínio com candidatos da CDU, do BE, DO PPM, do PCTP/MRPP e do PNR.
Os resultados mostram uma vitória esmagadora do PSD/CDS em Cascais com 53.04% dos votos elegendo 7 mandatos. Já o PS obteve apenas 26.66%, isto é, perto de metade, conseguindo 3 mandatos. A CDU conseguiu 9.19% e assegurou o restante mandato.
Há por isso que procurar razões para tal resultado, completamente arrasador.

Em primeiro lugar, António Capucho mostrou algum trabalho. O paredão é hoje um óptimo local para os cascalenses (e turistas) passearem e desfrutarem o seu tempo livre. A área recuperada é enorme. Os espaços verdes são hoje abundantes no concelho de Cascais. Há infrastruturas que suportam a população de modo satisfatório. A Câmara parece assim ter feito um razoável trabalho nestes anos de governação, apesar de não haver só pontos positivos.
Em segundo lugar, a candidata do PS (sem desprimor para a sua competência) não era um nome suficientemente forte, nem tinha reputação suficiente para disputar uma Câmara com um Presidente que já lá está há 8 anos.
Em terceiro lugar, existe em Cascais o já crónico efeito Judas. Passo a explicar. Judas foi Presidente da Câmara de Cascais enquanto candidato do PS durante 8 anos, de 1993 a 2001. Nesse período a governação deste autarca foi bastante criticada, sendo que em 2001 o candidato do PS perdeu para o do PSD por larga margem, isto apesar do candidato do PS ter nome e competência. Um facto é que pela terceira vez consecutiva o PS não consegue chegar aos 30% em Cascais, e pela terceira vez consecutiva Capucho chega à maioria absoluta.

Estes parecem ser os motivos para tais diferenças junto do eleitorado. Posto isto, ou o PS consegue inverter esta onda de derrotas em Cascais, ou este permanecerá durante muito mais tempo arredado da Presidência da Câmara e delegará essa função no PSD que colhe bastante eleitorado de Cascais na medida em que é um município em que as pessoas vivem maioritariamente bem ou muito bem, em que as preocupações sociais são menores e em que a esquerda perderá necessariamente para a direita.
Cabe agora fazer umas quantas notas.
1. Em todo o concelho de Cascais só São Domingos de Rana votou maioritariamente no PS (fá-lo desde 1993) para a Assembleia de Freguesia apesar de não ter abdicado de dar um voto de confiança no PSD/CDS na Câmara.
2. A diferença entre o PS e o PSD/CDS para a Assembleia Municipal (20,76%) é menor do que para a Câmara (26,38%) o que poderá levar o PS a repensar tudo isto. A candidata do PS à Câmara tem menos votos que João Proença (que creio não ter filiação socialista), candidato à Assembleia. O motivo para isto também pode residir na tentativa de parte do eleitorado no sentido de conseguir algum contraponto, alguma fiscalização.
3. O PSD/CDS consegue maioria absoluta na Câmara e na Assembleia. Demolidor.
4. Bom sinal para o parco número de votantes no PNR. Apenas 285.
5. Má nota para a abstenção. 55,94% é demasiado.
segunda-feira, 17 de março de 2008
“Os dois clubes que ainda estão nas competições europeias (taça UEFA) vão passar aos quartos de final?”
Quanto à prestação das duas equipas devo dizer que apesar de o Benfica ter visto o seu apuramento dificilmente alcançável na primeira mão, deveria ter feito muito mais na segunda, e ainda que não marcasse golos ou não ganhasse, que ao menos tivesse jogado bem e lutado para passar, algo que não sucedeu contra uma equipa que se estreia na Taça UEFA, o Getafe. Têm que querer passar mas não chega. Tem que se lutar por isso.
Já o Sporting passou o Bolton não sei com que desempenho pois não prestei atenção aos jogos das duas mãos. Vai agora enfrentar o Rangers que poderá ser complicado.
De qualquer modo deixo aqui a esperança de que o Benfica melhore os seus resultados.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Eleições Europeias 2009.
Por isso, passo a uma análise das eleições em geral e das listas dos partidos com assento parlamentar em particular.
As europeias suscitam-me sempre interesse. Podem ser aquelas eleições em que está mais de meio Mundo a marimbar-se para as mesmas, mas para mim revestem enorme importância. O Parlamento Europeu é um dos órgãos mais importantes da União Europeia e ganhará importância com o Tratado de Lisboa. Sim é um facto, o Tratado ainda vai vigorar acreditem, e não sou só eu que o digo. Até posso estar enganado mas não creio.
Ora, se este é um dos órgãos mais importantes com funções como a adopção de actos legislativos europeus, controlo democrático e o poder orçamental, porque mereçerá menos respeito que as eleições nacionais? A resposta é bastante simples. Por um lado só um cidadão minimamente interessado encontra informação sobre o que é debatido naquele lugar. Se para encontrar informação sobre a nossa AR basta no fundo abrir o site do Expresso, para encontrar sobre o PE, possivelmente a busca será maior, a menos que seja uma bacorada monumental lançada por um qualquer eurodeputado, ou um insulto, ou uma palhaçada qualquer. Depois, há aquela ideia muito estranha de que aquilo é outro Mundo, e que não nos afecta. Nada mais falso. Depois admiram-se de cortes nas pescas e na agricultura.
Posto isto aviso à navegação. Votem, mas votem mesmo!
Cabe agora analisar cada um dos candidatos a estas eleições, a ordem será a do nº de deputados no Parlamento nacional por ordem descrescente.
O PS lança Vital Moreira. Já ouvi dizer tudo e mais alguma coisa acerca deste senhor. Provavelmente para o cidadão comum português com menos de 30 anos, seja um ilustre desconhecido. Poré
m, é um mero engano. Antigo deputado pelo PCP, e juiz do Tribunal Constitucional, este senhor é ainda conhecido no Mundo do Direito como Professor. Este nome causou surpresa, mas é uma aposta nos votos à esquerda por parte do PS que quer recuperar aquele eleitorado. Fica a dúvida sobre se este era o nome certo. O slogan escolhido “Nós, europeus” pareceu-me adequado. No entanto, aquela prespectiva ainda pouco europeísta do português médio poderá não ser receptiva à mensagem. Creio, com muita dúvidas, que consegue os 25-30% que o PS normalmente garante. A ver vamos se consegue algo mais até porque há que ter em conta o possível cartão amarelo que é usado em eleições como estas (se bem que é mais frequente nas autárquicas) para mostrar descontentamento perante medidas governamentais.O PSD avança com um nome que há um ano atrás só conhecia dos debat
es na RTP, creio que era o Estado da Nação, o programa onde o senhor entrava. Com a entrada de Manuela Ferreira Leite em cena, Paulo Rangel passou a ser um nome mais conhecido por se ter tornado Líder da Bancada Parlamentar do PSD. É uma grande dúvida mas tal como Vital, deve garantir o eleitorado habitual do PSD mas será que consumirá eleitorado socialista? Não sei até porque carregará consigo a imagem de Ferreira Leite por quem tenho o maior respeito mas que, de acordo com as sondagens, não tem sido um polo dinamizador. Contar ainda com o candidato do PP é também importante e é a esse que passaremos. 
O PP escolhe Nuno Melo para a luta europeia. Parece ser um nome forte para os recursos do partido, mas daí a ser um nome forte para o português comum vai um passo. Aliás tanto o PP como o BE escolheram nomes que são fortes no interior do partido, mas que não sei se conseguirão ter o apoio proporcional nas eleições, ao que têm no aparelho partidário. Voltando a Nuno Melo, poderá, a revelar-se um forte candidato, ser uma séria ameaça ao PSD mas recordo que ambos os partidos elegem deputados que vão para a mesma família política, o Partido Popular Europeu (Democratas-Cristãos) e Democratas Europeus.

O PCP lança Ilda Figueiredo, o que constitui uma aposta na constinuidade. É de facto, digamos, diferente, ter um candidato a um órgão de uma Organização na qual não se acredita mas consigo perceber o propósito. Quanto a resultados creio que conseguirá o resultado habitual do partido até porque o eleitorado comunista é pouco móvel.

O BE também apostou na continuidade de Miguel Portas, o nº 2 do Partido. É um sério critico da Europa e poderá ser um candidato a ter em conta pelo PS que poderá perder votos numa eventual amostragem do cartão amarelo ao Governo.
Em jeito de conclusão espero que a abstenção seja reduzida desta feita, embora não esteja iludido. A não participação deve andar aí na ordem dos 50/60%.
Votem!
Obrigado.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Prova de Fogo.
O deputado socialista que, recordo os leitores, esteve envolvido no julgamento do Caso Casa Pia, enfrenta o seu primeiro teste político depois desse facto.
É certo que o deputado saiu ilibado daquele julgamento e mais do que isso, conseguiu uma indemnização do Estado, das maiores de sempre em Portugal. No entanto, coloca-se a dúvida de se saber se o Caso Casa Pia fez mossa ou não na credibilidade política de Paulo Pedroso. É uma prova de fogo. Porém conclusões dos resultados destas eleições serão sempre muito discutíveis e potencialmente pouco rigorosas. Se não vejamos. Se Paulo Pedroso vencer, poderemos afirmar que o julgamento não teve consequências nefastas para a imagem do almadense? Se perder, poderemos afirmar peremptoriamente que foi devido àquele escândalo que o socialista perdeu? A resposta é não. Há que ter em conta os outros candidatos ao lugar, sejam eles de que partido forem. Imaginem a seguinte hipótese.
A Câmara A é governada há 30 anos pelo Presidente B que se candidata outra vez. Aparece um candidato de outro partido, C, que esteve envolvido num processo judicial revestido de enorme polémica mas que saiu ilibado. C perde. Poder-se-á afirmar que foi o processo que o desgastou politicamente?
É muito difícil aferir a influência que os processos judiciais (então este) têm para a imagem e credibilidade de uma pessoa, seja político ou não, sendo que para um político revestirá maior importância, por força da dependência relativamente ao que as pessoas acham.
Por outro lado, se este facto trouxe tempestades ao deputado, também dele (processo) poderá ter vindo a bonança. O deputado socialista, antes deste processo, era muito pouco conhecido, se não mesmo mais um entre muitos políticos que representam os seus partidos na Assembleia da República. Este processo deu-lhe notoriedade, é certo que num mau sentido, pois debilitou-o perante a opinião pública. Porém, foi com este processo que o político passou a aparecer mais nos meios de comunicação social e mais do que isso, o pedido de indemnização conseguido foi o melhor que lhe podia ter acontecido, tendo em conta que assim fica claro que o Estado cometeu um erro e que Paulo Pedroso nunca devia ter sido pronunciado neste caso.
Convém fazer uma ressalva, Paulo Pedroso é neste momento inocente, pois foi isso que resultou da decisão judicial, e é assim que deve ser entendido, como inocente.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Prémio Nobel da Paz
Parece que o Presidente dos Estados Unidos da América recebeu o Prémio Nobel da Paz, resta é saber por o quê...sexta-feira, 6 de março de 2009
Crise e os seus efeitos II.

domingo, 22 de março de 2009
Grande Panda!
(Imagem furtada daqui)quarta-feira, 3 de junho de 2009
Sobre a Política Portuguesa
"Vivemos uma democracia de audiência", diz Conceição Pequito
01.06.2009, São José Almeida
Portugal tem uma sociedade civil anestesiada, os partidos estão longe do povo e as suas direcções controlam a constituição das listas eleitorais, cujo processo é o jardim secreto da política
O sistema político português está bloqueado e uma larga maioria dos cidadãos deixou de se reconhecer nos partidos políticos existentes, que funcionam de forma oligárquica e sonegaram a soberania popular, que lhes é delegada pelo voto e que deveriam representar. Este diagnóstico é a conclusão que ressalta da obra O Povo Semi-Soberano. Partidos Políticos e Recrutamento Parlamentar em Portugal, que identifica e analisa as especificidades portuguesas da crise dos sistemas políticos representativos.
"Vivemos uma democracia de audiência, feita de comunicação social, sondagens e líderes, em que há uma espécie de sondocracia, de videocracia e de lidercracia", resume Conceição Pequito, explicando as novas condições em que é exercida a política: "As sondagens funcionam como um escrutínio permanente ao eleitorado e é desse escrutínio que saem as ofertas políticas que os partidos direccionam, como produtos no mercado, para rentabilizar votos. Depois há a questão da videocracia, com o peso da comunicação social, que personaliza, por sua vez, os líderes. Tudo isto se vai afunilando, até que torna a sociedade civil claustrofóbica".
Esta situação é geral, mas Conceição Pequito considera que "nos outros países é menos preocupante, porque há sociedade civil". E explica que "nas democracias consolidadas a crise dos partidos tem sido compensada com o alargamento do repertório das formas de participação política, que reforça a participação na representação".
Mas em Portugal "a componente participativa só começa a existir com a introdução do referendo na Constituição em 1997". A democracia nasceu "com uma componente de democracia participativa nula, a que há é recente e os cidadãos não se mostraram receptivos. Até à data, não tem corrido muito bem". E lembra a história dos referendos e a altíssima abstenção que os tornou não-vinculativos.
"Envelhecimento precoce"
As "tendências transversais" a todos os sistemas políticos europeus são agravadas em Portugal pelo facto de ser "uma democracia demasiado jovem, mas com traços de envelhecimento precoce". Conceição Pequito considera que "é preocupante" que o sistema político português esteja "a dar saltos qualitativos para limitações do sistema democrático consolidado, mas em fase precoce". Ou seja, a sociedade está distanciada dos partidos e o povo não se sente neles representado.
Apontando as causas da especificidade portuguesa, Conceição Pequito refere em primeiro lugar a "democratização tardia", que fez com que os partidos políticos fossem "criados de cima para baixo nessa altura ou próximo, "à excepção do PCP, que existe desde 1921 com um longo passado de clandestinidade". Ora, prossegue esta investigadora, o processo é assim inverso ao dos partidos europeus que "nascem para dar voz a grupos ou classes sociais pré-existentes, para politizar clivagens que existem na sociedade, são na esfera institucional uma espécie de correia de transmissão do tecido social".
Em Portugal, "os partidos são autores e actores da democracia, todo o sistema é feito pelos partidos", vão para o Governo, vão para o Parlamento, vão para o poder local e, "só depois de instalados na esfera institucional, vão à procura da representação popular", em meados dos anos 80.
Exemplo é a ligação que os dois maiores partidos têm com as organizações sindicais ou patronais. "O PCP entra na CGTP e o PSD e o PS ficam ali dois anos hesitantes para criar um movimento representativo dos trabalhadores para responder ao avanço do PCP", lembra, prosseguindo: "E tiveram de concordar numa criação conjunta da UGT, porque a UGT é uma espécie de prestação de serviços; quando o PSD está no Governo, presta-se a assinar os acordos, e com o PS o mesmo".
Recorda o facto de "o PS e o PSD nascerem já como partidos de eleitores" que pretendem acesso ao poder, fazendo-o com a conquista do voto e através de um apelo transversal, "procurando não estar muito à esquerda, não estar muito à direita, estar ao centro". Daí "falar-se de bloco central de interesses, quando se fala da partilha dos despojos do poder político entre o PS e o PSD", o que, "ao nível da sociedade, teve um efeito perverso, que foi situar o eleitorado muito ao centro, o eleitorado moderado que está mais disponível para um discurso mais ambíguo, mais definido por factores de curto prazo como sejam a situação económica o desempenho do Governo, o apelo carismático do líder".
A segunda especificidade portuguesa é que os partidos foram também criados "em torno das figuras dos líderes e cada saída de um líder dá quase uma crise de sucessão e de perda de eleitorado e de descaracterização", o que "mostra a fragilidade, como os partidos acabam por ser quase sinónimo dos líderes conjunturais e não instituições com implantação social e ideologia sólida". Alem disso, os partidos portugueses nascem "em época mediática" e a "mediatização da política junta-se à personalização, são fenómenos que se alimentam mutuamente". E Conceição Pequito pergunta: "Quando o que interessa é o líder e os dirigentes de topo e o palco é a TV, os partidos servem para quê?"
Há uma outra particularidade portuguesa que é "um funcionalismo público partidarizado", o que, aliás, é tradição da história portuguesa e não uma particularidade da democracia pós-25 de Abril. "Há os despojos de partido, há um clientelismo partidário e estatal que dá a possibilidade de colocar pessoal no aparelho de Estado", afirma Conceição Pequito, acrescentando que Portugal "não é como a Inglaterra, que tem um serviço público autónomo da classe política".
O Povo Semi-Soberano. Partidos Políticos e Recrutamento Parlamentar em Portugal, publicada pelas Edições Almedina, divulga para o grande público a tese de doutoramento em Ciência Política defendida em 2008 por Maria da Conceição Pequito Teixeira. Esta investigadora de 37 anos é professora de Ciência Política do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa e da Universidade Aberta. A tese foi elaborada sob orientação de Adriano Moreira, professor catedrático jubilado, ex-ministro da Educação e do Ultramar de Salazar e antigo líder do CDS, que, aliás, é autor do prefácio. O co-orientador foi Julían Santamaria Ossorio, director do Departamento de Ciência Política na Universidade Complutense de Madrid.
As reformas
Como, "institucionalmente, não há democracia sem partidos", é preciso procurar ultrapassar o impasse criado pelo afastamento dos cidadãos da política. Para isso, Conceição Pequito defende que há muito a mudar no funcionamento dos partidos, em passos firmes, mas sem radicalismos. "A reforma que está por fazer em Portugal tem de começar primeiro pelos partidos, depois pelo sistema eleitoral" e finalmente é preciso "discutir o sistema de Governo", declara esta investigadora. "Só assim podemos querer aliciar a sociedade civil" para a participação partidária.
Primárias para as listas
A adopção pelos partidos de eleições primárias internas para todos os cargos electivos, "sistema que é já usado na Europa", é defendida por Conceição Pequito. "Quem escolhe os candidatos são os directórios nacionais e, quando muito, locais", mediante regras que não são transparentes e critérios que são desconhecidos, afirma. Ora isto dá "espaço de manobra a tudo o que é patrocínio e clientelismo". E frisa que "a constituição das listas é o jardim secreto da política, é onde tudo se decide, o alinhamento é calculado ao milímetro tendo em conta a constituição do Governo e as nomeações políticas".
Por isso propõe que haja "descentralização da decisão para os militantes" e que o processo "se torne mais institucional, mais formal, mais transparente". E logo mais apelativo para a militância: "O militante diria: eu escolho os candidatos à Assembleia da República, ao Parlamento Europeu, ao poder local, ou seja, eu tenho uma palavra a dizer no meu partido sobre o pessoal político e as estratégias de recrutamento do pessoal político que exercem cargos públicos electivos. Era um sinal que os partidos davam à sociedade. Era um novo direito, um novo poder de decisão, de participar na decisão sobre quem governa."
Referendos internos
"Os referendos internos para as questões programáticas" deviam ser adoptados, sublinha esta investigadora, como forma de promover o debate programático e dar "combate à fulanização da política". Conceição Pequito defende que os partidos usem as novas tecnologias de informação, mas não dando a estas um papel redutor, já que o acesso ao computador cria novas clivagens sociais e exclusões. Contudo, diz que "não faz sentido" a eleição directa do líder pelos militantes. "Muitos partidos europeus estão a voltar ao congresso, pois a eleição directa é uma guerra de personalidades, sem discussão programática".
Círculos menores e listas abertas
Defende a manutenção do sistema proporcional mas com diminuição dos círculos eleitorais e a adopção de listas plurinominais abertas, em que o eleitor escolha o partido e, se quiser, escolha o seu candidato. Sendo que esta indicação serve para ordenar a entrada em primeiro lugar dos mais votados nominalmente. Uma reforma idêntica à proposta por André Freire, Manuel Meirinho e Diogo Moreira no estudo Para uma melhoria da Representação Política, editado pela Sextante, e realizado por encomenda do PS.
Não aos independentes
A investigadora opõe-se frontalmente às candidaturas de independentes à Assembleia da República. "Isso era um risco muito grande de populismo", afirma, alertando: "Nós, em Portugal, não estamos sequer preparados para governos de coligação, como é que estamos preparados para a balbúrdia de partidos com independentes? Não acredito que tenhamos sociedade civil preparada para isso nem classe política para o efeito."
E, veemente, insiste: "Temos um legado histórico com uma sociedade civil muito fraca, que vem da Monarquia Constitucional, vem da Primeira República, vem do Estado Novo, com o seu paternalismo que é conhecido. E no pós-25 de Abril, com as maiorias absolutas ou quase absolutas, anestesiou-se a sociedade civil." Este legado histórico levou a que para a maioria dos portugueses "a estabilidade é sinónimo de governos maioritários ou monocolores", quando, "por essa Europa fora, o que mais existe são governos de coligações, às vezes até promíscuas, juntando forças partidárias que não têm nada a ver e que conseguem o milagre de governar legislaturas completas", argumenta Conceição Pequito, acrescentando que em Portugal, "quando, nos estudos, se pergunta ao eleitorado se prefere governos de maioria absoluta ou de coligação, a maioria responde de maioria e de um só partido".
E questiona, contundente: "Quem são os candidatos independentes no poder local? São pessoas que de independente têm muito pouco, são pessoas que tiveram vida partidária e que se desentenderam com o partido." Prosseguindo no diagnóstico, afirma: "E desentenderam porquê? Porque não obtiveram o que queriam e entram em ruptura, são dissidentes e rebeldes de partidos. Veja Helena Roseta, em Lisboa, Isaltino Morais, em Oeiras, Valentim Loureiro, em Gondomar, Fátima Felgueiras, em Felgueiras." Sublinhando que estes candidatos "não emanam da sociedade civil", garante que "considerá-los da sociedade civil é ser um pouco simpático", uma vez que "eles se agarram à sociedade civil quando os partidos os deixam cair".
Aumentar fiscalização do Governo
"Os partidos na Europa têm optado pela americanização" e "o sistema político tem evoluído para presidencialismo", afirma Conceição Pequito, sublinhando que, "nas legislativas, na prática, é eleito o primeiro-ministro" e o sistema parlamentar está a ser "desvirtuado".
Ou seja, "não se discute o sistema de governo, o Governo é que manda e o Parlamento é uma caixa
de eco", considera Conceição Pequito. "Há governamentalização do Parlamento. Os outros partidos fazem oposição para a televisão. No Orçamento do Estado foram viabilizadas duas propostas da oposição em mais de quinhentas.
E temos um Governo que é refém da figura do primeiro-ministro, temos ministros amestrados, que seguem à linha um guião que lhes é ditado pelo primeiro-ministro, que é uma espécie de chanceler. O próprio partido que apoia o Governo desaparece. Sendo que o Governo ainda determina os cargos de nomeação política", frisa de forma crítica, questionando: "Portanto, o que temos? Executivo, executivo, executivo. Não temos mecanismos de fiscalização, estes poderes do Parlamento desaparecem. Mas não vejo discutir esta questão."
sábado, 27 de junho de 2009
O Discurso Político.
Diz-se muito que se é contra uma coisa mas não se apresenta uma alternativa. Se a um qualquer cidadão não político é admissível que diga que discorda e se fique por aí, a um político já não. Se quer capitalizar apoio traduzido em votos a alternativa é extremamente necessária.
Quantas vezes vimos já situações como aquelas que refiro na política portuguesa?
Veêm-se em debates parlamentares discussões acerca de quem fez melhor ou pior em anteriores legislaturas. Veêm-se críticas a eventuais alterações de comportamento dos políticos perante os media. Veêm-se trocas de galhardetes que muitas vezes ultrapassam o domínio do aceitável e da boa educação.Vê-se muita coisa menos um debate claro e com ideias que se contraponham.
Deste modo, que interesse tem assistir ao canal ARTV (o canal do Parlamento) quando se pode ver o mesmo nível de entretenimento numa qualquer novela da TVI?
Como cidadão e eleitor tenho legitimidade para exigir um desempenho superior de quem me representa e não o faz em condições. Apenas se pede um trabalho sério.
sábado, 15 de março de 2008
Votos:
Quanto às primeiras nada a criticar, não porque é nosso hábito colocar esse tipo de sondagens às pessoas, mas porque não têm qualquer consequência, a não ser a de que se fica a saber a opinião de um conjunto não muito grande de pessoas sobre determinado assunto. De qualquer modo, estas sondagens acabam por não ser uma amostragem muito fidedigna a nível nacional, mas acabam por sê-lo relativamente às pessoas que estão no mesmo sector etário que nós e visitam este blogue.
Já as segundas que referi não são do meu agrado por vários motivos.
Desde já, as sondagens influenciam as pessoas. Ainda há pouco tempo falava com alguém que dizia que não costuma votar com as maiorias, isto é não costuma votar naquele que previsivelmente vai ganhar segundo as sondagens mas antes naquele que acha ser o melhor para o cargo para o qual se está candidatar. Porém, nem todos funcionam deste modo. Existem pessoas que ao verem o partido A à frente do partido B, nas sondagens, votam no partido A por este liderar as intenções de voto. No entanto também se passa o oposto, diria não tão frequentemente.
Esta influência que as sondagens têm nas pessoas é no mínimo criticável pois o voto do cidadão deve apenas ser condicionado pela concordância ou não com o programa do partido ou do candidato.
Outro motivo é que as sondagens podem ser manipuladas de modo a influenciar, como já referi, o eleitorado. Não estou aqui a dizer que A ou B fazem isso, estou apenas a escrever que é possível que isso aconteça algo que é de todo inaceitável.
Depois, as sondagens podem estar erradas, isto é, podem não constituir a real intenção de voto dos cidadãos.
Já outra razão é a discordância, por vezes grosseira, entre várias sondagens, algo que já aconteceu, e não há muito tempo. Por exemplo, nas eleições autárquicas de 2005 grande parte dos canais de televisão davam como vencedor o partido A por larga margem, e apenas um canal dava o partido B como vencedor. Resta dizer que o partido A ganhou mesmo por larga margem.
Ainda outro motivo, talvez mais discutível é o facto das sondagens estragarem a surpresa de saber quem é o vencedor e o vencido. Não sei se concordo com este motivo mas fica a alusão.
Posto isto, creio que talvez as sondagens não sejam algo benéfico para a sociedade mas hão-de continuar a existir.
sexta-feira, 20 de março de 2009
Ai Papa Papão...
(Imagem tirada daqui)terça-feira, 9 de setembro de 2008
A Malta Anda a Ver Tudo ao Contrário
Os dirigentes de todo o mundo andam a felicitar os governantes do país em questão pelo sucesso nas eleições. A malta pensa que tanto “parabéns” se deve ao facto de terem ganho as eleições. As primeiras passados 18 anos! Ainda por cima foram livres e democráticas! O que a malta não percebe é que estavam a dar os parabéns ao “Mais Velho” por ter montado o sistema político perfeito. Conseguiu aquilo que nenhum dos ocidentais conseguiram até agora, perpetuar-se no poder de forma livre e democrática.
Ora se formos a ver, o que o Sr. fez, principalmente nestes últimos 18 anos, é louvável , diria mesmo, de mestre! Conseguiu juntar toda a classe política. Deu-lhes “bué” dinheiro para serem dos seus e não causarem sarilho. Criou uma classe burguesa, ensinou-lhes a usar o dinheiro. Gastando sempre em grandes investimentos em sociedade com Os estrangeiros, para garantir que o dinheiro rende e que o apoio da comunidade internacional é incondicional (o petróleo chegava para isso. Mas caso o ouro negro e os diamantes falhem, ficou, desde logo, uma fonte segura de receitas para tudo isto). Ainda, criou, armou e mantêm poderosas forças armadas, como garante da amizade e apoio das nações vizinhas e de qualquer chico-esperto que alguma vez tenha ideias engraçadas.
Deixou assim resolvida qualquer ameaça ao partido ou ao país. O perigo de cisão extingue-se pela "coincidência" que há, pois os dirigentes políticos e os detentores de capital são as mesmas pessoas. Capital esse que é partilhado entre eles e assim não pode existir qualquer divergência nos interesses perseguidos por uns e outros, antes pelo contrário, coincidem.
Assegurada a sustentabilidade do partido, restam as eleições. A democratização guarda uma possível ameaça. O pesadelo dos partidos do dito primeiro mundo. A perda do poder político. Aqui seria ela conquistada por um partido com uma fracção mínima do orçamento e militantes do dos dirigentes, por um qualquer milagre. Ameaça esta já pequena dada a diferença de dimensão das máquinas partidárias. Contudo possível. O Mais Velho e os seus previram isso de forma simples. Distribuem-se uns carros gratuitos nos comícios e fica tudo sob controlo.
Assim sem ser preciso aldrabar os resultados dos votos nem nada! As eleições são mesmo livres e democráticas, propõe-se a candidato quem quer, vota quem quer, tudo transparente. E ganha O Mais Velho.
É ou não do Caraças?
Estou a ver que é já falei demasiado e que não tarda tenho os agentes dos serviços secretos do dito país à porta :p