terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Selvas de Prédios:

Não tenho por bandeira o ambientalismo fundamentalista (se é que isso existe) mas defendo a preservação do ambiente e uma conduta adequada por parte das pessoas no que a este diz respeito.
Ora, partindo desta introdução escrevo sobre as “selvas de prédios” que são na actualidade uma realidade constante neste país. Tomemos por exemplo Sintra, não a vila de Sintra conhecida pelas bonitas paisagens, pelos travesseiros e pelo microclima. Falo da outra Sintra, a Sintra Cacém, Mem-Martins, Monte Abraão. E posso ainda referir localidades como Amadora, Alenquer e outras deste tipo.
O que vemos nestas paragens? Prédios e mais prédios. Uma selvajaria de prédios sem razão plausível para aceitar a sua utilidade. Dir-me-ão alguns “Onde é que querias que as pessoas morassem?” ou “Tem que se construir em algum lado”. Pois bem, construam mas construam bem, para bem do direito a um ambiente saudável, direito previsto na Constituição (artigos 65º e 66º) e que não deve ser violado.
É certo que as pessoas precisam de casas para morar, sem estas, as pessoas viveriam na rua. Contudo, vejamos quantas habitações existem em Portugal. 5,5 milhões de fogos de habitação para apenas 3,6 milhões de famílias. O que resulta em 1 casa e meia por família em Portugal (fonte JN, jornal que apesar de já criticado aqui no blogue não deixa de prestar boas informações como lhe compete).
Tudo isto leva à pergunta: Para quê tanta casa? Para alimentar o lobby da construção civil (mais um neste país). A const. civil tem grande poder em Portugal, principalmente junto das Autarquias Locais que deixam esses patrões da construção inaugurar vários complexos urbanísticos de forma desmesurada, excessiva, desmedida e mal localizada.
Seria de aplaudir a diminuição do crescimento de fogos habitacionais (atenção não falo de uma redução de prédios mas de um crescimento que diminuiu), porém esta não aconteceu por vontade dos que detêm o poder mas por força das circunstâncias, como refere Alexandra Figueira no seu artigo no JN “O reconhecido excesso de habitação em Portugal, somado à subida dos juros desde 2005 e à estagnação da economia tem, de facto, levado a alguma moderação na construção de casas”.
Posto isto, sou levado a crer que não existiu esforço de moderação nem por aqueles que podem impedir a construção nem por aqueles que constroem, existiram antes motivos económicos que levaram a menor crescimento habitacional.
Contudo este decréscimo é insuficiente, se não reparem nestas imagens.




Cacém.

Alenquer.


P.S.: Não pretendo insinuar que todos os autarcas deste país são cúmplices do lobby da cont. civil, nem o mesmo relativamente aos autarcas das localidades que referi, este caos urbanístico não é responsabilidade deste ou daquele autarca mas é um erro histórico sem dúvida. Espero que melhore.

1 comentário:

Mouro disse...

Não retirando mérito ao post, nem discordando das conclusões nele presentes, relembro ao Sr. Doutor que, num país como o nosso, o sector da construção civil, apesar de todos os seus deméritos, arranja emprego a muita gente (nem todos imigrantes).