quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

E o Norte contra ataca:

Boa tarde a todos e saúde para os que lêem este blogue, e também para aqueles que não lêem, uma vez que todos temos direito a isso. Não, não venho aqui falar do encerramento de urgências (se é que o/a leitor/a se perguntou se era isso que aqui o “je” ia fazer) até porque o título assim não indica e não sei porque e que haveria de o fazer... (talvez por ter invocado o substantivo saúde). Bem, não me apraz neste momento referir essa polémica, de todo.
O que venho para aqui fazer é falar do costume. Não do costume, fonte de Direito que tanto prezamos, mas antes o costume, aquilo de que falo tantas vezes e já abordei neste blogue. O salientar do Porto relativamente às demais cidades.
Ora, esse movimento está aí em força, deveras, e não existem indícios de que vá parar tão cedo. Venho lembrar factos que entretanto ocorreram ou que por lapso não referi no “Norte e Sul: Falsa Questão?”
Se não vejamos. O F.C.P. continua a vencer e todos sabemos a identificação que existe entre este clube e a cidade do Porto, evidenciando-se assim o “nortismo” alarmante. O Boavista começa a vencer.
A sede da Liga é no Porto.
No outro dia via televisão e verifiquei que a temática de um dos programas já referidos no blogue “Portugal no Coração” incidia bastante no Porto. Chamaram um ilustre portuense e portista, falaram com outro ilustre portuense mas desta vez boavisteiro e perguntaram ao pessoal da cidade o que achavam dela. Devo dizer que fiquei espantado com a resposta… mas já voltarei à mesma.
Primeiro o ilustre portista, defendeu a cidade com “unhas e dentes” lembrando que depois do tiroteio na noite do Porto foi enviado um inspector de Lisboa para averiguar o caso. Isto causou um evidente alvoroço no que a este convidado diz respeito. Recusa-se a aceitar um enviado de Lisboa mas não refere o que se passou na escolha do Aeroporto da capital. Talvez não se lembrem, mas se houve entidade que intervinha constantemente quando se falava na localização do Aeroporto era a Associação Comercial da cidade portuense. Associação essa que ficou agradada com a decisão Alcochete por ficar mais longe do Porto e por talvez não afastar as pessoas do mesmo, ao contrário do que se passaria se o Aeroporto fosse mais a Norte. Não sei bem se foi esta a razão mas pareceu-me que esta associação foi muito “participativa”. Serão ambos os acontecimentos (envio do inspector lisboeta e participação da associação) criticáveis? Talvez não. O que se quer é o bem do país. Mas se se critica uma, o que dizer da outra…
Já o segundo ilustre referido pôs-se lá a falar de ser boavisteiro e por aí, não saindo muito desse tema.
No que diz respeito aos transeuntes portuenses aos quais foi colocada a questão “O que acha da cidade do Porto?” a reposta foi como já referi, surpreendente. “É a máior”. Bem, talvez não tenha sido assim tão surpreendente, aliás, fiz algum uso da ironia, espero que me perdoem. Alguns dos questionados puseram-se logo a fazer comparações com Lisboa como se esta tivesse sido “chamada ao barulho”.
Posto isto lembro aqui uma questão que já coloquei a muita gente mas que ninguém me conseguiu explicar muito bem. Porque é que chamam à cidade do Porto “cidade invicta”? Primeiro não é invocável o argumento de que a cidade nunca foi invadida, pois isso já aconteceu, com as invasões francesas. Também não é invocável o argumento de que está escrito no brasão da cidade até porque ninguém chama (pelo menos das pessoas que conheço) “Muito Nobre e Sempre Leal” à cidade de Lisboa, sendo que é isto que está no brasão. O que leva a outra questão. O brasão de Lisboa tem escrito “Muy nobre e sempre leal cidade de Lisboa”e o do Porto, para não ficar atrás tem “Antiga, muy Nobre, sempre leal e invicta cidade do Porto”. Aliás, estas são as únicas cidades que tem uma espécie de descrição da mesma no brasão, procurei e não encontrei mais nenhuma em Portugal. Talvez mais um divisionismo.
Bem, só espero que isto melhore para bem de todos.

3 comentários:

Johanna disse...

Embora as dissertações do Senhor Doutor, no tocante a este tema, me façam sempre rir imenso (e gozar/meter-me consigo também!), não acho de todo que estejamos perante uma "falsa questão". Mas não se apoquente Senhor Doutor, tudo isto tem uma explicação simplicíssima: o ser humano é idiota, os brancos sao parvos, os pretos estúpidos, os americanos parvalhões, os europeus patéticos, os portugueses paspalhos, os portuenses ridículos, os lisboetas lerdos... e eu e o Senhor Doutor (infelizmente) também não degeneramos!

Ou, mais do mesmo: a questão não é falsa mas não esgota o tipo. Divergências, concorrências, competitividades... há desde aqui da minha rua até quando houver vida no planeta dos guardanapos e os terrestres ambicionarem a sua supremacia intergaláctica.

Há...! E claro, ha uma coisa neste mundo que se chama dinheiro.

Como Pessoa que sou, quero so dizer: OS PORTUENSES SAO CHATOS E ESSES TRANSEUNTES QUE INVOCAM LOGO COMPARAÇÕES COM LISBOA REVELAM COM A MAIOR INGENUIDADE O SEU ENORME COMPLEXO DE INFERIORIDADE! Se nós, Lisboetas, ocupássemos 1/10 do nosso tempo a pensar em "passar à frente" do porto", se calhar também já estávamos a falar com o sotaque deles...

Okay, menos. Isto fui só eu a desabafar e a mostrar a minha mesquinhez, comum a todos os seres humanos. Uma demonstração deveras esclarecedora... é que hoje o dia não correu como eu queria.

Muitos beijinhos e abraços para todos [incluindo os portuenses e o Bush (estou a brincar...)].

P.S. - Quanto à questão do tiroteio e do inspector lisboeta isto nem merece mais do que um post scriptum... ridículo... qualquer dia o meu pai também vai deixar de ir as consultas de otorrino no Porto (a que vai porque só eles é que têm la uma maquina qualquer XPTO), preferindo morrer asfixiado do que ferir o seu... "nacionalismo à escala 5000:50"... que não sei dizer "veneração exacerbada por uma cidade qualquer" de outra maneira.

johanna disse...

Bem, agora assustei-me ligeramente com o tamanho do meu comentário...

Qualquer dia obrigam-me a pagar para usar este espaço...

Já agora também queria dizer que qualquer referência menos delicada ao cidadãos portuenses foi meramente instrumental, para demonstrar como todos temos cá dentro o micróbio do desdém... e foi também para dar um tom divertido à coisa.

Ciao!

Ernesto Martins Vaz Ribeiro disse...

Muito boa tarde.
Sou um portuense não deixando que a febre do futebol me faça perder o discernimento do que é um País e uma Cidade.
O Porto é, de facto, uma Cidade, uma bela cidade cheia de curiosidades, de contrastes, de história mas também cheia de Portugueses.
É verdade que também há aqueles que da cidade só conhecem o caminho para as Antas ou dragão e mal, mas o peso destes está à vista : o Presidente da Câmara de quem eles não gostam, lá vai ganhando as suas maiorias em eleições sempre disputadas enquanto que esse grupo de
"solit(d)ários" vai ruminando a esperança de voltarem a aparecer uns "artistas" que confundem a cidade com o Clube e o Clube com a cidade, como se o Porto fosse só bola. Ora bolas, digo eu, porque quando se junta a bola com coisas sérias, as pessoas não se entendem. E contudo no Porto e em Lisboa há muita gente de bem, muita gente boa que tem o direito de elevar aquilo em que acredita, mas que não pode passar além dos limites do bom senso.
Voltando ao Porto e à mui nobre leal e sempre invicta cidade esclareço que o título é honorífico e foi pronunciados por D. Pedro IV após a vitória do chamado Cerco do Porto que terminou coma derrota do cinzento absolutismo. O Colar que se vê no seu Brasão é, também, uma concessão de D. Pedro IV e pretende configurar o colar da Ordem de Torre e Espada.
A razão pela qual a cidade é louvado por um rei que, lembro, legou o seu coração a esta cidade (pode se observado o delicado vaso numa das paredes da Igreja da Lapa), é importante ser compreendida e assimilada. É exactamente a mesma razão que deveria mover todos os Portugueses a estarem gratos a esta cidade. Foi entre as suas paredes que o nosso Rei se acolheu para libertar o País, e aqui viveu dois penosos anos em que éramos bombardeados todos os dias, mas sempre resistimos e transformamos essa vitória num hino que foi estendido a todo o País.
Não se trata pois de saber se o Porto foi ou não foi alguma vez derrotado. Interessa sim preservar a memória, pelo significado, dessa vitória do Cerco que permitiu o início da construção de um País Novo. E aqui temos que estar agradecidos ao Porto e às suas gentes.
Os meus melhores cumprimentos.

Ernesto Martins Vaz Ribeiro
evazribeiro@gmail.com