quarta-feira, 24 de março de 2010

segunda-feira, 15 de março de 2010

Enfim...

Hoje voltei a assistir a uma cena que mais uma vez me deixou pasmado. Estava eu no Estádio José Alvalade XXI a ver o Sporting derrotar o Guimarães, quando no início do encontro, os habituais vândalos de Guimarães começaram a lançar impropérios e objectos para os adeptos do Sporting. É certo que as incursões de membros da claque do Sporting só servem para inflamar os ânimos, mas a PSP mais uma vez tomou uma posição que para mim não tem cabimento.

Observando o esquema do estádio, a claque visitante está situada no sector A8 da bancada meo. Entre o sector A8 e o sector A11 existe uma grade de dimensão reduzida. Ora acontece que quando a escumalha de Guimarães começa com os desacatos, a resposta da PSP é mandar os adeptos do Sporting que estão no sector A11 deslocarem-se para um lugar mais distante. Esta situação acontece regularmente nos chamados jogos de alto risco. Os bilhetes são com lugar marcado e os agentes da autoridade não sabem se a pessoa tem preferência por aquele lugar. Num jogo em que a bancada esteja cheia um grupo de pessoas que vá ver o jogo em conjunto pode acabar separado. Agora eu pergunto porque é que paga o justo pelo pecador? A solução mais justa não seria intervir com violência se necessária e expulsar os prevaricadores? Recordo-me do jogo contra o Benfica em que houve pessoas que perderam o inicio da partida devido a esta situação e eu próprio que estava mais afastado passei o jogo a ver se não levava com uma moeda ou isqueiro na cabeça.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Money for the boys - ouch!

Para quem não viu o acontecimento, este está disponível aqui.
Com esta resposta o senhor deputado Francisco Louçã quase me fez pensar em pensar em mudar para o Bloco.

A saga de John Terry continua

terça-feira, 9 de março de 2010

Coisas giras

Boa noite caros leitores, seguindo a sugestão de um dos ilustres contribuidores deste espaço informático, venho agora colocar aqui mesmo uma hiperligação para um texto publicado por mim e um grupo de colegas no âmbito de uma cadeira de mestrado. Trata-se de um artigo de opinião sobre coisas giras, mais precisamente, barreiras alfandegarias não tarifárias.
o espaço onde o artigo foi colocado trata-se de um blogue criado para o Mestrado de Economia Portuguesa e Integração Económica, onde se discutem coisas interessantes, para quem gosta de economia.

domingo, 7 de março de 2010

sábado, 6 de março de 2010

Acertem os relógios

Chile earthquake may have shortened days
The massive 8.8 earthquake that struck Chile may have changed the entire Earth's rotation and shortened the length of days on our planet, a NASA scientist said Monday.
The quake, the seventh strongest earthquake in recorded history, hit Chile Saturday and should have shortened the length of an Earth day by 1.26 microseconds, according to research scientist Richard Gross at NASA's Jet Propulsion Laboratory in Pasadena, Calif.
2010 Space.com

terça-feira, 2 de março de 2010

Bazinga

Pequena nota sobre o Zimbabwe



Ora aqui temos um país que na ultima década esteve na agenda política europeia, infelizmente, por causa da Grã-Bretanha. Não tanto pelo Estado falhado que é, muito menos pelo regime que alberga. (Sejamos francos, déspotas há por aí aos magotes e isso nunca preocupou ninguém). Também não é por causa da miséria que ali paira (nah, então há mais esfomeados que déspotas!). Ali o que está muito mal...
- Ora evidentemente os motivos abertamente racistas do regime!
Perto. Muito perto.. Mas não é bem. Ou antes, sim! Mas só porque se trata da hostilização de cidadãos Britânicos, ou antes descendentes de britânicos - não me interpretem mal, o regime conseguiu levar a discriminação positiva a extremos por poucos imaginados, confundindo-se agora se é negativa ou positiva.
O problema data dos tempos da conversão da Rodésia no Zimbabwe. A emancipação do território. Naquele tempo tornara-se evidente que uma minoria branca era proprietária das terras do então denominado "celeiro de África" enquanto o resto da malta vivia muito mal. Naturalmente, os ingleses procuraram proteger os seus netos e assinaram os Acordos de Lancaster House (1979), garantido a independência do país sob condição que não houvesse redistribuição dos terrenos agrícolas na primeira década imediatamente subsequente à independência.
E assim se manteve o país. Rapidamente renunciou à democracia, mas isso... E no final dos anos noventa, cansado de quase uma década de redistribuição lenta e pouco visível da riqueza, a braços com uma população zangada e cada vez mais difícil de apaziguar, o governo decidiu deixar de tirar algum dinheiro aos ricos para o dar aos pobres. Passando a deixar que os pobres o fossem buscar directamente. Dando início a uma terrível campanha contra os brancos. Numa desesperada procura de um inimigo comum que ainda hoje contínua.

Eu culpo os Europeus por colonizarem, mal!, e se pirarem muito depressa depois de muito tempo sem quererem sair.

Chato, é isto só ser problema porque se tratam dos netos dos Ingleses. Fosse uma coisa entre duas etnias nativas. Provavelmente nem nos jornais aparecia (pelo menos não antes de um genocídio). Ninguém saberia que o país é dirigido por déspotas corruptos, nem ninguém saberia que há pouca direcção porque o Estado há muito que falhou, provavelmente ainda lhe chamariam Rodésia por esquecimento do "novo" nome. Ah! E já agora, por mera curiosidade, quando é que começámos a ouvir falar no Mugabe? Em 79 ou 99?

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Resposta à nossa fã número 1

Cara anónima agradeço desde já a sua participação, mantendo apenas o meu desejo de que se identifica-se ao invés de se manter no anonimato. Desejo aliás partilhado pelos meus colegas, quanto mais não seja para podermos saber quem são os nossos seguidores. Respondendo agora ao seu comentário, poderá ser um devaneio machista, mas se analisarmos a questão, no Natal oferecem-se prendas porque os 3 Reis Magos ofereceram prendas a Jesus. No aniversário de uma pessoa oferecem-se prendas pela mesmo razão, Jesus recebeu prendas quando nasceu. No dia dos namorados oferecem-se prendas sem razão aparente. Para mostrar o nosso afecto? Para isso existe o dia de aniversário. E aposto consigo que se fizer uma sondagem aos homens de qualquer ponto do mundo a esmagadora maioria irá dizer que não se importa se recebe ou não uma prenda, e caso se importar é apenas por motivações materialistas. Se colocar a mesma pergunta a mulheres a esmagadora maioria dirá que leva a mal se não lhe oferecerem uma prenda no dia dos namorados. E este facto fará com que os homens ofereçam prendas às sua esposas ou namoradas, e que estas correspondam ao mesmo gesto. Poderemos ainda observar os presentes mais comuns deste "feriado". Chocolates, lingerie e flores, são as prendas mais comuns. Nenhuma delas é uma prenda que tradicionalmente se ofereça a um homem. Estes recebem prendas mais banais ou equivalentes às que receberiam no Natal ou aniversário.Já agora poderia apresentar a sua visão deste dia.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Macacadas

Antes de começar gostaria de cumprimentar a nossa única fã.Ao contrário do habitual em que venho para aqui falar de assuntos moderadamente ou ocasionalmente sérios com uma leviandade desprezível, hoje vou apenas copiar um artigo que li.
Beer-drinking, smoking chimp sent to rehab
The former performer reportedly pesters zoo passers-by for booze
A Russian chimpanzee has been sent to rehab by zookeepers to cure the smoking and beer-drinking habits he has picked up, a popular daily reported on Friday. An ex-performer, Zhora became aggressive at his circus and was transferred to a zoo in the southern Russian city of Rostov, where he fathered several baby chimps, learned to draw with markers and picked up his two vices."The beer and cigarettes were ruining him. He would pester passers-by for booze," the Komsomolskaya Pravda paper said.It added he has now been transferred to the city of Kazan, about 500 miles east of Moscow, for rehabilitation treatment.

By Tanya Ustinova and Amie Ferris-Rotman
REUTERS
PS: Peço desculpa por o artigo estar em inglês mas não tive paciência para o traduzir. Termino agora com um apelo a todos os utilizadores da internet. LEIAM O BLOGUE DO CARAÇAS, É UM ESPAÇO DE EXCELENCIA NO MUNDO DO BLOGUES COM CONTRIBUIDORES DO CARAÇAS E ASSUNTOS AINDA MAIS DO CARAÇAS.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Feliz Ano Novo

(Imagem daqui)

Após um longo silêncio, em muito proporcionado pelas festas, pelos exames, pela preguiça e pela falta de paciência, decidi voltar aqui ao nosso blog (que injustamente tenho negligenciado). Como o primeiro milho é para os pardais, o primeiro post deste ano, muito atrasado (cerca de um mês e 21 dias) não será de grande profundidade nem importância.
Por um lado, venho deixar mais uma sugestão de leitura: Uma Carta para Garcia de Elbert Hubbard, é um artigo pequeno que não transcrevo por motivos técnico (não me dou com isto) e que cuja filosofia implicita creio ser preciosa para qualquer indivíduo. E por outro, agradecer à nossa primeira fã. Agradecer-lhe o gentil comentário e dar uma breve resposta ao seu pedido de reflexão sobre o famoso dia 14/2.
O dito dia dos namorados/s.valentim, é uma data comemorativa como muitas outras. Ao que parece com fundamentos religiosos que procuram transmitir uma mensagem que transcende a propria religião e hoje tem também um contorno comercial/consumista. Quem me conhece sabe que não sou muito dado a este tipo de datas, por exemplo, posso dizer que geralmente, neste dia, não costumo alterar significativamente a minha rotina face aos restantes, especialmente porque, pessoalmente, considero outras datas mais importantes. No entanto, vivemos em sociedade e como tal ignorar o dia seria como ignorar o natal ou os aniversários daqueles que nos são próximos. Essas datas, podem dizer-nos pouco, porém esperam-se certos gestos, não pelos gestos em si mas pelo que se convencionou representarem. Desejar os parabéns a um amigo próximo é uma forma de deixarmos patente que pensamos nele. Expressar o nosso amor pela "cara metade" no dia 14/2, relembrando o dia, ou com grandes gestos (por vezes creio ser uma tentativa falhada e por si ridícula de medir materialmente algo que não o é), ou com simples palavras, é um gesto ilustrativo do nosso afecto num dia em que convencionalmente lhe damos especial atenção.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Dia dos Namorados

Respeitando o pedido da nossa fã, aproveito para ser o primeiro dos contribuidores a reflectir sobre o dia dos namorados. Antes de começar devo avisar que não tenho nem nunca tive uma relação amorosa, pelo que a minha visão poderá ser considerada desagradável pelos adeptos deste dia.
Comecemos por olhar para o nome do Personagem, São Valentim. Reza a história que este é o nome dado a diversos Santos martirizados, do especifico que empresta o seu nome ao dia não se sabe mais do que o nome e o local onde foi enterrado. Assim sendo, ninguém sabe o porquê da idolatração a este Santo neste dia. É com esta falha que aparecem as floristas, os produtores de chocolates e os designers de lingerie, que precisando de algo para aumentar as suas vendas de forma regular, decidiram apelidar o dia 14 de Fevereiro de Dia dos Namorados, obrigando assim os coitados dos homens felizardos que já foram pescados por uma qualquer donzela, a gastar dinheiro de maneira desnecessária, com o único objectivo de as fazer felizes e conseguirem alguma coisa entre os lençóis.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Sporting

Sendo eu, talvez infelizmente, um fiel seguidor e adepto ferrenho do grande Sporting Clube de Portugal, pensei apropriado comentar esta declaração do Presidente do clube, José Eduardo Bettencourt, da qual na minha opinião já se fizeram histórias hilariantes.

Numa primeira parte o Presidente diz que a época do Sporting se resume a lutar pelo 4º lugar. Na minha opinião está a constatar o óbvio, descurando a participação na Liga Europa. No entanto que este nível de pragmatismo é demasiado derrotista e um sinal de fraqueza que não fica bem a um líder.

Vem agora a parte mais badalada. Depois do Presidente dizer que queria um modelo organizacional mais aproximado daquele utilizado pelo FC Porto, vieram os lampiões todos dizer que tudo não passa de uma aproximação ao FC Porto, para juntos derrotarem o Benfica. Na minha modesta opinião a postura do Presidente não é inovadora ou extraordinária, não passando de uma prática empresarial comum, designada de benchmarking. O FC Porto é desde à bastante tempo o clube de maior sucesso a nível nacional e o que o Presidente do Sporting pretende fazer é apenas estudar a organização do FC Porto e adaptar os seus factores de sucesso à realidade leonina. Podemos até advogar, através da análise do número de títulos nacionais e internacionais ganhos e da prestação nas competições europeias, que o FC Porto é um dos clubes de maior sucesso a nível mundial.



PS. o dicionário de língua portuguesa define benchmarking como: "processo por meio do qual uma empresa reproduz desempenhos bem-sucedidos de outras empresas numa determinada área de actividade".

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Um País parado.

Fiz este texto para publicação no Laranja Choque há uns dias. É esta a minha análise da situação governativa deste país.

Um País parado.

Fazendo uma análise em retrospectiva do nosso país verificamos que em 2005 com o surgimento de uma nova maioria parlamentar absoluta, se renovaram algumas esperanças no que diz respeito ao Governo deste país. Se por um lado, Guterres não tinha conseguido segurar uma crise gerada pela falta de sustentabilidade parlamentar (recorde-se que 115 deputados eram socialistas, 115 não), por outro, os Governos de Barroso e Santana cedo se revelaram pouco eficientes, sendo que Barroso foi para a Comissão, deixando o partido sem comando, e Santana, concordando-se ou não com o que fez enquanto primeiro-ministro, esteve lá pouco tempo.

Com a tal nova maioria, a maior parte das pessoas pensou estar perante um executivo que pudesse pôr termo ao défice excessivo, e “arrumar a casa”, fazendo frente aos grupos de pressão, e não cedendo a interesses corporativistas e partidários. Tinha, aliás, condições para o fazer, pelo menos em certa medida. Nos primeiros dois/três anos de mandato, o Governo de Sócrates cumpriu, tendo sido um dos melhores governos até ao momento, o que se afigura muito difícil em momentos de crise. Assim, até 2007/2008 o Governo socialista demonstrou vontade e para além disso sucesso no combate ao défice. Se em 2005 o défice rondava os 6%, em 2008 este estava na casa dos 2%, abaixo do limite de 3% imposto pelo PEC. Naturalmente que este combate ao défice não seria possível sem o “apertar do cinto” dos portugueses, já que foi necessário o aumento dos impostos. No entanto é de valorizar, a redução de despesas totais acompanhada de um aumento das receitas totais. Em outras matérias, para além da financeira, o Governo parecia impor-se. Apostou nas novas tecnologias em força, fomentou a utilização de energias renováveis, ambicionava a criação de um modelo educativo eficaz, apostou no melhoramento do sistema de saúde, reformou o sistema judicial, fez tudo isto não ignorando na totalidade algumas desigualdades sociais. Naturalmente que não concordei com todas as medidas tomadas, mas notava-se, apesar de tudo, a mão firme que faltou aos Governos anteriores.

A chegada da crise fazia antever tempos mais difíceis que exigiriam de todos nós algum sentido de responsabilidade. Apesar de tudo, esta postura determinada esfumou-se passados aqueles dois/três anos iniciais. A proximidade das eleições e a cedência a pressões que vinham de todos os lados provocou um “relaxamento” governamental, que mostrou ser um “mãos largas”, exigindo menos aos portugueses, e aligeirando a determinação exigida. Resultado, o défice voltou a crescer galopantemente (fenómeno agravado pela crise internacional) chegando à casa dos 8% quase 9%. Para além disto, não se seguiram as políticas levadas a cabo no início da legislatura em quase todas as áreas. Houve como que um retrocesso. Dá ideia que estes anos não serviram para nada em termos de governação deste país. Dá ideia que estamos como estávamos em 2005, ou possivelmente pior.

Mais grave ainda, não parece que este Governo eleito em 2009 com maioria relativa esteja a conseguir o que o anterior não conseguiu à excepção de um acordo no campo da educação. Este país cada vez mais parece adiado, sendo que lá fora dizem que caminhamos para o desastre. Não quero acreditar que estejamos a fazê-lo. No entanto, não há grandes sinais do contrário, ainda para mais num Governo enormemente fragilizado como este, com uma maioria relativa, que apesar da abstenção da Direita no Orçamento não contou com ela para a Lei das Finanças Regionais, com dificuldades na relação com o Presidente da República, com escândalos que estalam nos jornais, com o descrédito que começa cedo (se nos abstrairmos do facto de este ser um Governo de um partido que já havia governado de 2005 a 2009) sem direito a Estado de graça.

Porém, a gravidade não fica por aqui. Olhamos para a esquerda e vemos o alheamento da discussão orçamental, aparentemente interessando-lhes apenas o aumento do investimento público. Sendo que políticas como aquelas por eles (os da esquerda) seguidas poderiam colocar Portugal numa situação difícil. Na Direita vemos líderes que já estiveram no Governo, e no principal partido da oposição, um líder a prazo, pois parece que não vai recandidatar-se. Tanto uns como outros não parecem dar sinal de cooperação total ou pelo menos na maior parte das áreas com este Governo, sendo possível um novo cenário de eleições.

Espera-se um novo rumo, um conjunto de medidas trabalhadas no sentido de relançar Portugal, um país melhor.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Obrigado Senhor Primeiro Ministro

Bom qualquer coisa caros leitores, depois de muito reflectir sobre a bisbilhotice do nosso Primeiro Ministro no que a assuntos jornalísticos diz respeito, cheguei à conclusão que todos estes sacrifícios são em prol dos jovens licenciados portugueses. Hora vejamos, primeiro foi Manuela Moura Guedes, senhora já de idade (as cirurgias não disfarçam, só fazem pior), agora Mário Crespo, senhor também ele no outono da vida. Se analisarmos estas duas personagens, de que o Senhor Primeiro Ministro se quer ver livre, tratam-se de dois dinossauros jornalísticos, pelo que é apenas justo afirmar que esta caça às bruxas é uma extensão da política de inserção profissional de jovens licenciados, supostamente praticada por este Governo. O Senhor Primeiro Ministro apenas quer trocar o velho pelo novo.

PS: Por esta altura já devem ter reparado no meu tom irónico...

Já agora aproveito para colocar uma questão ao Senhor Anónimo que comentou o meu último devaneio. O Senhor é agente funerário? Caso seja peço desculpa se o ofendi.
Quanto ao assunto da economia não importa apenas dizer que as casa estão caras agora, deve-se comparar com os preços reais de períodos anteriores (lamento informar que não faço ideia se subiram ou desceram, falo apenas das ideias que me vêm à cabeça). Quanto às dificuldades de acesso ao crédito, estas devem-se mais à irresponsabilidade financeira dos comuns do que à intransigência das instituições financeiras.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Assuntos importantes

Caríssimos leitores desde imponente espaço cibernético, como nenhum dos meus compinchas parece estar com vontade de escrever, têm de se contentar comigo e duas profundas divagações que me surgiram enquanto fazia coisas.
A primeira surgiu enquanto via diversos filmes e séries, onde invariavelmente existe sempre um personagem que fala da economia como se esta fosse um bicho mau que anda atrás dele para lhe fazer mal. Imaginem a situação recorrente, em que um personagem diz para outro: "Eu até queria comprar um caso ou uma casa, mas nesta economia não dá". Perdoem-me a expressão mas isto é estúpido! porque é que nesta economia não dá? O personagem é economista e fez algum estudo que apresente conclusões que lhe permitam fazer essa afirmação. Tanto quanto eu sei, a economia não fez desaparecer casas, logo não é por aí que as pessoas deixam de as poder comprar. As taxas de juro têm vindo a decrescer, pelo que se poderá dizer que esta até será uma altura favorável para a aquisição de uma casa ou de um carro. A pessoa desloca-se ao banco faz um empréstimo a taxa fixa e pode conseguir um bom negócio, que numa situação económica "boa" não conseguiria, em virtude das taxas de juro mais elevadas que devem existir nessa altura. A não ser que a personagem que diz a frase irritante seja um trabalhador fabril de uma empresa, como a GM e afins, que infelizmente devido à fase menos favorável do ciclo económico tenha sido despedido, não terá razões para dizer tal coisa. Até porque a economia não terá, de certeza absoluta, reduzido o seu salário nominal. Na pior das hipóteses poderá ter reduzido o seu salário real.

A segunda divagação que aqui me trás, veio ter comigo enquanto passava pela porte de uma agência funerária. Normalmente os produtores e os traficantes de armas são apelidados de mercadores da morte, porque produzem e vendem armas que vão causar morte e sofrimento a outros. Se analisarmos bem a questão os produtores e os traficantes não ganham nada com a morte das pessoas. Quando alguém morre eles perdem um potencial cliente, pelo que a morte em nada os ajuda. Os ditos produtores e traficantes limitam-se a produzir e vender um produto, aquilo que os seus clientes fazem com o produto é problema do cliente e das suas vitimas e não do produtor ou do vendedor.
Agora se olharmos para os agentes funerários podemos claramente constatar que estes não só ganham com a morte de terceiros, como também dependem desta para a sua subsistência, são estes senhores que quando alguém morre fazem um sorriso de orelha a orelha e esfregam as mão de contentes que estão com mais uns euros que podem tirar a uns pobres coitados que acabaram de perder alguém.

sábado, 12 de dezembro de 2009

O que esperar de 2010

“A crise demonstrou o quão dificil é prever certos acontecimentos” diz o nosso caro cherne, presidente da comissão europeia, numa daquelas frases que resume o seu pensamento: uma quantidade de nadas em forma de frase, parágrafo e texto. De facto, a elite política, em tempo de crise, em tempo de crise no qual também têm responsabilidade enquanto decision e opinion makers, afirmam alguns clichés para se afastarem da responsabilidade que têm neste cenário. Deste modo ilibam também a elite económica, com quem se confundem por vezes, sendo mais moralmente reprovável (como na Europa) ou aceite (como nos EUA), aparando os golpes desta, justificando com o “bem da nação”. Esta, costuma por seu lado, justificar a sua necessidade de lucro nestas épocas com “em tempo de crise é necessário reajustar” como quem diz cortar e despedir para reduzir custos, mas na verdade mais que outra coisa qualquer para manter a margem de lucros, o Estado como dito passivamente aceita e colabora e o resultado são dados indicadores de que em 2010 teremos mais 60 milhões de desempregados em todo o mundo do que relativamente a 2008. A possibilidade de no novo ano a crise ter um fim é cada vez mais ficção científica, já que indicadores de confiança da população e o real estado da economia deixam perceber que a excitação de alguns comentadores e agentes económicos sobre uma possível saída da recessão não são mais que boatos.
Os Estados podiam aproveitar para fazerem duas coisas durante a crise, como medidas sustentadoras de crescimento a curto e médio prazo: por um lado, aproveitar a crise como uma oportunidade “uma vez numa geração” e renovar os seus quadros, limpando os cantos à casa e trazendo mais valias que até agora se encontravam incapazes de atrair em competição com o sector privado, podendo assim ter pessoas mais capazes, melhor gerindo aquilo que será nos próximos tempos menos em comparação com anos anteriores. Mas o peso da “máquina” é enorme e a renovação desta uma clara irrealidade, demonstrando que nem quando a oportunidade se apresenta algo muda. Por outro lado regular o mercado de modo claro para que crises similares não se sucedam. Tardam medidas mais claras, talvez os catalizadores de uma maior confiança dos próprios mercados, numa época em que o sector económico passa do 80 ao 8, fechando-se em copas e arriscando muito pouco, risco este catalizador de uma economia saudável (atenção disse risco, não disse medidas kamikaze).
Num último apontamento, mudando mais para o um campo eminentemente político e geográficamente definido, a administração Obama é também alvo de pouco entusiasmo, pela incapacidade de sair da crise e por se encontrar enredada num sistema nacional de saúde que os republicanos aproveitam para fazer o tema alongar e deste modo prejudicar os democratas. Just another day in the park I guess. Sobre isto deixo um video.


The Daily Show With Jon StewartMon - Thurs 11p / 10c
You're Not Helping - Senate Health Care Debate & Homeless Man
www.thedailyshow.com
Daily Show
Full Episodes
Political HumorHealth Care Crisis

Um texto de Frederico Neves, estudante do 4º ano de Relações Internacionais do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Viva o Circo III!

Há muito que esta rubrica não via sequela, não por falta de oportunidade mas antes por falta de paciência minha. Desta feita, não podia deixar passar aquilo que é mais um momento do dia a dia Assembleia da República Portuguesa. Divirtam-se (que não vale a pena chorar)!


sábado, 5 de dezembro de 2009

Hans Christian Andersen ou um modelo Educativo?

Quem nunca ouviu falar da história do “Patinho Feio”, do “Soldadinho de chumbo”, d’ “O Rei vai nu” ou da “Princesa e a Ervilha”? Foi Hans Christian Andersen quem escreveu estes contos infantis e inspirou muitos outros que se seguiram. Foi um dos primeiros escritores a pensar e criar literatura, especialmente, dirigida a jovens e crianças, mas não só - já Fernando Pessoa dizia “Nenhum livro para crianças deve ser escrito para crianças”.

Para encontrarmos um género literário semelhante teríamos, provavelmente, de recuar ao tempo em que os animais falavam (ou tomavam papéis principais), com as fábulas de La Fontaine e, muito antes, com as fábulas de Esopo.

A forma, mais até que o conteúdo, de ambos os géneros são bem distintos. Porém, existem grandes semelhanças. Centramo-nos no principal: a simplicidade da história e da estética (principalmente semântica).

Estas características, como não poderia deixar de ser, fazem sentido: eram histórias contadas às crianças na escola, em casa, eram histórias de embalar. Eram contos que estavam presentes na consciência de todos, que formavam. Porque a formação começa desde o dia em que deixamos a placenta para trás, estas histórias tinham um grande relevo na educação dos mais novos.

A comparação que pretendo fazer é do tempo em que estas histórias eram lidas e ouvidas, para os tempos de agora em que estas histórias parecem esquecidas, aborrecidas e pouco estimulantes aos jovens.

Nas histórias infantis da actualidade reina a violência e o desequilíbrio. E isso tem implicações nas brincadeiras do dia-a-dia das crianças. Em vez de jogarem às escondidas e à apanhada, todas as brincadeiras que lhes vejo acabam, invariavelmente, em cenas de pancadaria.

O problema é complexo demais para o expor sem ser superficialmente. A verdade é que cada vez mais se diz que a educação e a cultura devem ser os motores de desenvolvimento de um país e cada vez mais se constata que a educação é fraca, elitista e estatística. Acrescento um adjectivo: a educação é desumanizada.

Não se estimula o raciocínio, a compreensão, a inter-acção humana. Os personagens das histórias, heróis e modelos das crianças, levam-nas a uma não evolução.

Isto tem consequências em toda a formação humana – note-se que nos referimos, aqui, somente à formação humana –, primeiro da criança, depois do jovem e adulto. Num suposto momento de auge civilizacional regredimos numa educação que nos forma para um Estado Natureza no qual terminamos todos, invariavelmente, mortos.

Por tudo isto, parece-me que deveríamos recuperar a matriz dos contos de Andersen para a formação juvenil. As bases sólidas da educação são os alicerces do Homem.

Um texto de João Ascenso, estudante do 4º ano e Presidente da Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Sugestão para o Fim-de-Semana

Hoje, trago apenas uma sugestão aos nossos leitores. Estando já farto da novela das escutas e das brincadeiras políticas à custa de um tal Estado de Direito, de uma suposta Democracia e de um qualquer Sentido de Estado; deixei de assistir aos telejornais portugueses. E ainda não me arrependi. Não é nenhuma revelação nem é nada de original dizer que os telejornais portugueses são longos, entediantes e de um vazio de conteúdo brutal. Lugar comum ou não, não deixa de ser verdade. Por isso, sugiro a quem tenha tempo este fim-de-semana que veja um telejornal a cada hora certa. Começando por um português, à escolha, digamos às 13h, e que, de hora em hora, veja a CNN, a Aljazeera, a BBC World e termine com a France 24. Bem sei que o desafio não é para todos, sendo apenas possível para quem fale inglês e tenha os canais mencionados. No entanto não deixa de ser interessante ver como os diferentes canais vêem o mundo e constatar o quão pobres os noticiários portugueses são. A titulo de curiosidade, digo que os meus favoritos são a France 24 e a Aljazeera.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Um referendo tenebroso.

Há uns tempos, a propósito da deterioração do campo de concentração de Auschwitz, aqui escrevi, citando Gilbert Chesterton que "dos primeiros erros do mundo moderno é presumir, profunda e tacitamente, que as coisas passadas se tornaram impossíveis".

Na realidade, cada vez mais parece haver aqui e ali uma reedição do que de pior se passou na história, por vezes de forma tão semelhante que chega a ser assustador. Para quem não sabe, há dias houve um referendo na Suiça que perguntava aos cidadãos se concordavam com a proibição de construção de minaretes (as torres dos templos muçulmanos).



O referendo avançou por iniciativa dos ultra-conservadores suiços que aproveitando o facto de naquele país serem suficientes 100000 assinaturas para espoletar um referendo, colocaram a tal questão por forma a travar a construção de mais um minarete. Para quem quiser conhecer melhor a história veja aqui.

Ora, só a própria pergunta já seria susceptível causar repúdio por violar a liberdade de culto, no entanto, o sim venceu muito por influência dos votos das zonas mais rurais. Este resultado é muitíssimo preocupante. As semelhanças com o que se passou há 70 anos são demasiado evidentes. Tenho receio que não haja bom senso. Tenho confiança, contudo, que se ponha travão nisto.

sábado, 28 de novembro de 2009

Luzes de Natal.

Ainda me lembro, quando era uma criança, da importância que tinha para mim aquela visão fenomenal: as luzes da baixa. Eram sempre lindas, brilhantes, coloridas com formas tão engraçadas. Não eram só as luzes, era tudo: o cheiro das castanhas, aquele frio de que eu já tinha saudades, o som das pessoas.

As luzes lembravam-me da magnífica época que se aproximava, que já era altura de montar a árvore de Natal, que já iam começar a aparecer presentes, vinham aí as férias, vinha aí o Natal. Estava na altura de vestir o meu casaco mais quentinho (leia-se mais fashion, apesar de ser ainda apenas uma miúda!) e sair com a minha mãe em direcção à minha parte preferida da cidade naquela contenda que era a busca das prendas de natal.

Hoje já não é assim…

Dizia-me uma amiga no outro dia “odeio estas luzes de Natal acesas no início de Novembro, só apelam ao consumismo das pessoas e tiram o espírito natalício todo”. É verdade, o Natal actualmente é mais uma manobra publicitária que uma ocasião para as famílias se reunirem. E disse-me outra pessoa “não sei como é que és capaz de ficar tão feliz nesta altura, eu só consigo pensar nos testes, exames e frequências que começam nessa época”. Pois, é verdade… nem me tinha lembrado.

As luzes estão cada vez mais foleiras e acendem-nas cedo demais, as castanhas estão caras e já não têm piada nenhuma (o que é que aconteceu à tradicional folha das Páginas Amarelas? Que é esta panisguice do saco castanho com compartimento especial para as cascas?!), o frio agora tem sido acompanhado de chuvas horríveis e a as pessoas fazem um barulho extremamente incomodativo!

Eles têm razão e de certa maneira, agora que penso um pouco mais no assunto, cada vez que olho para as luzes eu devia ficar um bocadinho deprimida, elas lembram-me aquela fase horrível pré-frequências acrescida de todos os stresses natalícios que podem surgir e todas aquelas memórias que eu tinha se forem analisadas com atenção não são tão felizes como eu julgava.

Mas eu não quero saber. O truque é não pensar muito. Já dizia o outro, que felizes são os ignorantes. Por isso eu decidi render-me, não à realidade, mas à fantasia, ao meu lado infantil e agora sempre que consigo arranjar um bocadinho saio de casa e vou dar uma volta à Baixa para ir ver as luzes.

Sugiro a todos que façam o mesmo. Esqueçam a faculdade, os dramas do dia-a-dia e tudo aquilo que vem com o facto de já sermos “crescidos”. Rendam-se às luzes e vão ver tudo como se fossem miúdos outra vez, sem preocupações. Mesmo que seja só por um bocadinho, vale a pena.

Vão ver as luzes e já agora comam umas castanhas.

Um texto de Teresa Ferreira, estudante do 4º ano da Faculdade de Direito de Lisboa.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Política, uma Ciência Falhada

" A Política é a Arte de bem governar" Platão

"A Ciência Política, em sentido restrito, é a ciência dos factos políticos isolados dos fenómenos sociais em que se inscrevem, sendo facto político todo o evento relacionado com a aquisição, manutenção e exercício do poder político" António de Sousa Lara



A Politica é a eterna ciência sem aplicabilidade. Sofrendo sempre, sem excepções, nem equivalente entre as outras ciências, uma mutação entre a sua teoria e a sua prática. Existindo enquanto arte do possível, vive tanto da teoria quanto as outras ciências, falhando, todavia, a sua execução.
Falha, também, por ser porventura a ciência menos flexível de todas. Tal como nos explica Popper, entre outros, uma ciência qualquer que ela seja, vive de paradigmas, que apenas subsistem enquanto sobreviverem a testes que lhes forem sendo feitos e enquanto não surgir um melhor que os substitua.
Falha ainda porque tendo sempre (ou quase) uma concepção virtuosa, a prática política muito raramente é virtuosa.
Podemos, para melhor ilustrar o que foi dito, dar 4 simples exemplos:
1° O Comunismo, a Democracia Liberal, e outros tantos, nunca conseguiram ser executados tal quanto foram propostos (nem sequer perto);
2° Mesmo depois de ter caído a URSS, sendo o comunismo um paradigma mais do que ultrapassado, ele subsiste em Cuba, na Coreia do Norte e no PCP;
3° Nas últimas eleições legislativas em Portugal foram marcadas por um debate político encapotado, que versou sobre pessoas, os seus defeitos e qualidades, erros e sucessos e a forma como governaram no passado, seja ele próximo ou distante. Não houve debate sobre a forma de governar nem preocupação com isso. Os partidos degladiaram-se pela vitória, procurando levar o poder para equipa onde jogavam e nunca pela virtude do governo., sempre apontando o quão pior o adversário era. Qual equipa num campeonato de futebol preocupada com a taça e não em ajudar o bairro onde está sediada;
4° Continuamos a viver em função de um confronto político entre esquerda e direita, e eu pergunto, então: e os conservadores de esquerda? E os liberais com preocupações sociais? E os beatos de extrema esquerda? E os centristas tradicionalistas? E os homossexuais conservadores?...
Há já muito que a distinção entre esquerda e a direita diz pouco às pessoas, porém, persiste.

Como vemos, a política consegue viver da teoria na prática, falhando enquanto ciência.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Começo a ficar para lá de farto...


A polémica gerada em torno do caso "Face Oculta" é entediante mas esperada. São naturais os oportunismos políticos dada a suspeita que recaiu sobre o PM. Como estamos em Portugal também é natural que o segredo de justiça seja chutado para baixo do tapete por todos, tenham cargos de relevo no Estado ou não- ao ponto de se dizer no canal do estado que o conteúdo das escutas deve vir ser publicado nos jornais num futuro próximo. Por estes lados, é natural, que magistrados, procuradores e que tais, falem sobre tudo o que lhes apetece. Nem é preocupante que o maior partido da oposição considere que "Ninguém é obrigado a aceitar um cargo político. Quando aceitamos um cargo político, aceitamos o escrutínio das nossas palavras. Das nossas conversas. Aceitamos porque somos moralmente obrigados a prestar contas a quem nos elegeu” (in Publico).
Natural porque falamos de um país em que todos enchem a boca para falar de Estado de Direito, princípios democráticos, éticas e morais; quando não importa saber o que isso é. Não importa a salvaguarda do indivíduo, da sua pessoa e da sua privacidade. Não importa se as instituições do Estado dito democrático são fracas e se o personalismo político é cultivado em detrimento das mesmas... Nada importa. O que importa é ganhar eleições porque isso é democracia - e se der para uma boa novela melhor!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Escutas

Caros leitores, após prolongada ausência estou de volta para fazer um comentário curto e da maior seriedade.
Depois do Procurador Geral da República ter levantado a hipótese de estar a ser escutado, de ter sido levantada a suspeita de o Presidente da República estar a ser escutado pelo Governo e de agora vir a público que o Primeiro Ministro José Sócrates foi escutado, lamento informar que também eu fui escutado. Desde a sua criação que o Blogue do Caraças fala sobre temas controversos, sem medo de pressões externas, pelo que terá desagradado algumas altas figuras. De algum tempo a esta parte o meu telemóvel tem feito ruídos estranhos e as chamadas perdidas multiplicam-se pelo que a única conclusão possível é a de que estou a ser escutado.Ou então é um problema de falta de qualidade da TMN.

domingo, 22 de novembro de 2009

O Muro de Berlim Caíu ou foi Derrubado?

Bem sei que o tema se banalizou e que foi sendo esquecido desde 9 de Novembro , não obstante, e espero não maçar ninguém, gostaria apenas de aqui deixar a minha interpretação dos factos. Assumindo uma posição, pouco consensual, de um debate que ainda não se consegue ter com grande isenção e frieza, pois, embora eu tenha nascido em 88, para este efeito, o muro caiu ontem.

Terá o muro caído ou sido derrubado?
Antes de mais, importa esclarecer que a questão é meramente semântica - embora revestida de uma carga simbólica importantíssima, própria do fim de uma guerra que antecipa uma nova ordem internacional que, ainda por cima, ninguém venceu- pois sabemos perfeitamente que não houve terramoto em Berlim e o muro só pode ter sido derrubado (por pessoas).
Dito isto, devo desde logo assumir que sou adepto daquela ideia da queda. Gosto de pensar que o muro, e depois a RDA, e depois o Pacto de Varsóvia e depois a URSS caíram. Apenas não sei se nessa ordem ou se na ordem inversa.
Foram muitas as circunstâncias que levaram ao colapso do sistema, dependendo da ideologia uns louvarão Reagan e o capitalismo e outros culparão Gorbachev, a perestroika e o glasnost. Independentemente, creio que o bloco soiético caiu por si: por causa do Afeganistão, porque não conseguia competir com os EUA, porque já não conseguia silenciar o povo e mantê-lo "off the streets"... Não importa, não acredito que a culpa recaia sobre uma pessoa ou um evento, foi culpa do tempo que pôs à prova um regime que, como todos os outros, lhe sucumbiu.
O que nos traz ao nosso mote, então e o muro? O muro foi um sintoma dessa queda. Caiu porque os tanques não entraram nas cidades, porque houve uma abertura do regime, porque era menos rígido, porque os governos satélites já não eram tão satélites assim, porque as pessoas se podia congregar, por causa da Solidariedade, porque a Hungria abriu as fronteiras, por causa do comboio, por causa da igreja... e tantas outras coisas.
O muro caiu porque o sistema caía. Foi um sintoma de uma série de eventos dependentes e consequentes e não um evento isolado, antecipado em algumas horas por uma conferência de imprensa e pela tv.
Por estas e por outras, parece-nos que o muro caiu. A menos que se considere que foi o tempo que o derrubou e aí não há como argumentar contra.

sábado, 21 de novembro de 2009

A (des)reforma da União Europeia.


A reforma da União Europeia, que culminou no Tratado de Lisboa, deteve-se na forte oposição dos europeus. Os que foram chamados a pronunciarem-se em referendo repetidas vezes disseram não e só com a insistência do assunto é que acabaram por dizer sim. Outros europeus – mas não menos europeus – decidiram pelos seus representantes – forma tão legítima como o referendo -, deixando dúvidas se o resultado teria sido o mesmo em referendo.

Não obstante a estes sinais, continua-se a construir a União Europeia sem um elo determinante com os europeus. Nos referendos os não à Europa são recorrentes, a participação nas eleições para o Parlamento Europeu têm abstenções recorde em vários países, pouco se sabe sobre os processos de decisão, história ou representantes.

A União Europeia ao esbarrar várias vezes na opinião dos europeus tinha a obrigação de abrir-se e tornar a execução do Tratado de Lisboa, mas ampla, aberta e esclarecedora.

Como saberão, o Tratado de Lisboa criou dois cargos: Presidente da EU e Alto Representante para a Política Externa. Ora, estes cargos de extrema importância e com vastas competências serão ocupados por dois nomes absolutamente desconhecidos da esmagadora maioria dos europeus. Ocupados por dois nomes absolutamente desconhecidos da esmagadora maioria dos europeus: Herman Van Rompuy será o Presidente da União Europeia e Catherine Ashton a Alta Representante para a Política Externa. Nomes que dizem-me muito pouco e que a partir de 1 de Janeiro influenciarão em muito a minha vida.

A União Europeia necessita abrir-se e traduzir aquilo que sentem os europeus. Se o processo do Tratado de Lisboa foi atípico, estes nomes ainda o são mais. Se ao primeiro houve resistência e dúvidas quanto ao futuro, estes nomes deixam muitas mais dúvidas. No mínimo, eram exigidos nomes de dimensão Europeia.

Um texto de Tibério Dinis, estudante do 4º ano da Faculdade de Direito de Lisboa e blogger do In Concreto.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

França: extraordinário.

No dia a seguir àquele em que a França vence a eliminatória com a Irlanda para o Mundial de 2010 de forma vergonhosa com um golo marcado precedido de uma mão na bola escandalosa, deixo-vos um outro jogo da qualificação para o Mundial. Tome-se atenção do minuto 1:14 em diante. Incrível.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O Novo Governo.

Escrevi este texto há uns tempos no Laranja Choque. Apesar de já não ser muito actual, o Governo ainda está no ínicio de funções e fica uma reflexão minha acerca do assunto.

Está constituído um novo Governo, o XVIII desta feita, com o mesmo Primeiro-ministro que o anterior, mas algumas caras novas, quer em Ministérios quer em Secretarias de Estado.

Este novo Governo foi alvo de várias críticas, como não podia deixar de ser. Uns acharam que era um Governo que cheirava a “tampas”, isto é um Governo feito de segundas escolhas. Outros afirmaram que este não parecia um novo Governo, mas sim uma aposta na continuidade do anterior. Ainda outros criticaram o novo executivo por este ter demasiados tecnocratas e poucos políticos.

Ora bem, a primeira crítica poderá fazer sentido. De facto não há grandes nomes (falo de nomes, não de competência). Quase todos os nomes são desconhecidos do grande público. Percebe-se porquê. Os possíveis “candidatos” a ministro com nome na praça dificilmente alinhariam num governo com maioria relativa, com a necessidade de fazer acordos no Parlamento, possivelmente com mais que uma força política, e debilitado pelo efeito causado pelas críticas apontadas ao anterior executivo. Estes tubarões (como alguém lhes chamou) só alinhariam num Governo forte, restando assim ao Primeiro-ministro convidar personalidades menos conhecidas que poderão encarar o cargo ministerial como um ponto alto na carreira, como um trampolim para o futuro (sem querer atribuir a esta situação qualquer carga negativa, entenda-se).

A segunda crítica pode também ser encarada como consequente mas não na sua totalidade. Este Governo está fortemente marcado pelo executivo anterior, muitos ministros mantiveram-se assim como secretários de Estado, alguns apenas mudaram de pasta. No entanto, houve alguma remodelação. Veja-se que em pastas sensíveis, em que a contestação era muita os titulares do cargo foram alterados. Casos da Educação, Obras Públicas, Agricultura. Posto isto, houve alguma tentativa por parte de Sócrates no sentido de conseguir aproximar o Governo das inquietações da sociedade e de afastar vagas de contestação logo no início do mandato.

Já a terceira crítica mais comum merece uma reflexão aprofundada, mas que terá aqui apenas alguns comentários. De facto este Governo tem poucos políticos e mais tecnocratas. Isto é, foram-se buscar pessoas à sociedade civil e menos ao aparelho partidário. Segundo alguns críticos, numa altura destas, num Governo marcado pela falta de maioria absoluta com tudo o que isso poderá acarretar, seriam necessários políticos e não professores ou pessoas com actividade no sector (os ditos tecnocratas). Dizem alguns, o desempenho de um político é medido em função da sua capacidade para gerir crises, e é de gestores de crises que o país precisa, de pessoas que saibam lidar com a oposição. Percebo a crítica mas não sei se procederá. Por um lado, um ministro marcadamente afecto a um partido será menos bem recebido pelos outros partidos que um que o não seja. Por outro lado, um dos problemas hoje em dia vigentes na política é o dos chamados “políticos profissionais”. Se há muitos políticos que dedicam grande parte da sua vida à política e pouca atenção prestaram a uma actividade profissional extra-política, desempenhando, no entanto, com competência as suas funções, outros há que na mesma situação apenas se agarram ao poder para dali tirar dividendos. Podemos chamar a ambos os casos, casos de políticos profissionais. No entanto, o primeiro não constituirá problema, já o segundo é um caso grave e que receio abundar, pelo menos aparentemente. Posto isto, apostar em políticos profissionais pode não ser a melhor medida, afinal os tecnocratas por não estarem agarrados ao chamado “tacho” e por terem actividade no sector podem desempenhar melhor a sua actividade governativa e proceder a reformas estruturantes.

Acima de tudo o que se quer é que este Governo cumpra com determinação as suas políticas e que a oposição forneça o seu apoio sempre que for necessário desde que não contraproducente. Pede-se trabalho.